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Após a compra bilionário Elon Musk sinaliza que pretende realizar mudanças na plataforma

27 Abr 2022 - 12h30 | Atulizado em 27 Abr 2022 - 12h30
Após a compra bilionário Elon Musk sinaliza que pretende realizar mudanças na plataforma

Nesta segunda-feira (25), uma notícia impactou a internet e o mundo dos negócios. O acordo de compra do Twitter pelo bilionário Elon Musk, em uma transação que foi avaliada em US$ 44 bilhões.

 A grande expectativa é de que a operação seja concluída este ano, após ser aprovada pelos órgãos reguladores e acionistas da empresa. Com a venda da empresa, o seu capital deverá ser fechado, assim deixando de ter ações negociadas em bolsa.

O excêntrico empresário pretende implantar mudanças na plataforma, o que já era sua intenção há algum tempo. Algumas mudanças serão a curto e outras a longo prazo.

Mudanças a caminho

As previsões de mudanças esperadas para o Twitter são menos moderação de conteúdo, mais monetização e uma maior transparência sobre o algoritmo. Alguns especialistas demonstram preocupações com o futuro da rede social, sobre o aspecto democrático.


By “free speech”, I simply mean that which matches the law.

I am against censorship that goes far beyond the law.

If people want less free speech, they will ask government to pass laws to that effect.

Therefore, going beyond the law is contrary to the will of the people.

— Elon Musk (@elonmusk) April 26, 2022 ">

A pressão de movimentos sociais e organizações internacionais têm feito com que o Twitter e outras plataformas revejam o conceito de liberdade de expressão e o equiparem a ordenamentos legais como o brasileiro. Nós já temos problemas suficientes, sobretudo em relação a ofensas a minorias em idiomas que não são o inglês, mas pelo menos a plataforma tem como política enfrentar o discurso de ódio e a desinformação. O que ele [Musk] está falando, basicamente, é que tudo isso pode ser desmantelado. Há um risco para o debate político”, avalia Yasmin Curzi, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV.

O Brasil é um dos países que mais utiliza o Twitter no mundo e tem cerca de 17 milhões de inscritos de acordo com os números do começo de 2021. O que paira no ar são preocupações com a imprevisibilidade com a condução das campanhas eleitorais, que acontecem este ano. O Diretor do InternetLab, centro de pesquisa sobre internet e direitos humanos, o advogado Francisco Brito Cruz considera que a pluralidade de conceitos sociais de um local para outro tornam a moderação algo bem complexo.

Cada país tem uma concepção de liberdade de expressão. O que é entendido como nudez ou ofensa no Brasil tem a mesma interpretação em um país do Oriente Médio? A ideia de liberdade de expressão como uma coisa monolítica cria mais problemas do que resolve”, afirma o especialista, que complementa.

Não se pode desconsiderar tudo que o Twitter já fez até aqui. A moderação de conteúdo da plataforma não é perfeita, mas é preciso compreender que isso é feito em escala industrial, de forma massiva, em 400 milhões de usuários. Qualquer moderação de conteúdo malfeita aumenta a desinformação em vez de colaborar para o debate”, argumenta.

 

Foto destaque: reprodução/CNN.