Saúde e Bem Estar

Brasil e outros países se organizam para compra de vacina contra a varíola

29 Jul 2022 - 09h30 | Atulizado em 29 Jul 2022 - 09h30
Brasil e outros países se organizam para compra de vacina contra a varíola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está atenta ao aumento de número de casos e recomenda aos países que não realizem a vacinação em massa da população como medida de combate principal à varíola dos macacos. Entretanto, orienta a vacinação direcionada para pessoas que foram expostas a alguém com a doença e para quem tem alto risco de infecção. 

A vacinação contra a varíola comum é entorno de 85% eficaz na prevenção da varíola dos macacos, o que indica que essa imunização pode resultar na doença mais leve, de acordo com estudos observacionais. Outros países, como os Estados Unidos,  estão se abastecendo de doses da vacina contra varíola e estão sendo aplicadas na população de imediato. 

O Ministério da Saúde divulgou, em nota publicada no dia 23 de julho, que está dialogando com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para adquirir a vacina contra a varíola dos macacos “De forma que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) possa definir a estratégia de imunização para o Brasil”, comunica a pasta. 


Ministério da Saúde em seu Instagram sobre vacinas  da Varíola dos macacos (Foto: Reprodução/Instagram)


Em outra nota divulgada no dia 25 de julho, o ministério afirma que está efetuando em uma primeira análise, com aproximadamente 50 mil doses iniciais. Isso irá depender da capacidade de produção da empresa e da capacidade de aquisição, “a Opas está em tratativas com o fabricante para que, o mais breve possível, essas vacinas estejam disponíveis”, afirma o órgão.

Alguns especialistas falam sobre como o Brasil deveria fechar acordos para dar continuidade na produção das vacinas no país  e também iniciar a vacinação o quanto antes. 

“O Brasil, neste momento, é o primeiro da America Latina em termos de número de casos e a nossa percepção é que esse número seja a ponta do iceberg. É urgente o Brasil providenciar doses de vacina para não alastrar mais e, em especial, não acabar contaminando pessoas de outros grupos que possam ser mais vulneráveis e ter casos mais graves”, disse a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo.

“Deveríamos estar negociando a produção aqui. A tecnologia dessa vacina não é muito complexa. O que tinha de fazer de importante os dinamarqueses já fizeram, que era melhorar a segurança da vacina original contra a varíola. Agora, é transferência de tecnologia”, afirma o sanitarista Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A varíola dos macacos é uma infecção que está se espalhando pelo mundo inteiro e deixando autoridades preocupadas. Ela é causada por um vírus que normalmente se manifesta de forma leve. Trata-se de doença causada pelo vírus “monkeypox”, que pertence à mesma família do vírus da varíola humana.

Assim que os sintomas aparecem, a infecção pode ser dividida em dois momentos. Primeiro, acontece o período inicial, que dura até 5 dias. Neste caso, o paciente pode apresentar os sintomas de:

• Febre;
• Dores de cabeça forte;
• Inchaço nos linfonodos (conhecido popularmente como "íngua");
• Dor nas costas;
• Dores musculares;
• Falta de energia intensa.

Finalizado esse período inicial, começa o segundo momento, que é marcado por feridas na pele. Normalmente, essas marcas cutâneas surgem depois de 1 a 3 dias do início da febre. Essas feridas podem se concentrar no rosto, nas extremidades do corpo, como a palma das mãos e na sola dos pés, na mucosa da boca, na genitália e nos olhos.


Homem apresentando sintomas de Varíola dos macacos (Foto: Reprodução/GETTY IMAGES)  


A doença teve sua confirmação em maio de 2022, quando surgiram um conjunto de casos no Reino Unido e logo depois se espalhou pelo mundo inteiro.

 

Foto Destaque: Ilustrativa com frasco rotulados como vacina contra varíola dos macacos. Reprodução/REUTERS/Dado Ruvic