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Brasil tem mais de 33 milhões de pessoas sem acesso à internet, segundo estudo

22 Mar 2022 - 20h00 | Atulizado em 22 Mar 2022 - 20h00
Brasil tem mais de 33 milhões de pessoas sem acesso à internet, segundo estudo

No Brasil, ainda é custoso acessar à internet, pois as condições são bem desiguais. Foi o que um estudo do Instituto Locomotivas e da empresa de consultoria PwC identificou que 33,9 milhões de pessoas ainda não possuem conexão enquanto 86,6 milhões não tem conexão diariamente.

Há o grupo dos “parcialmente conectados”, aqueles que não tem um acesso garantido à internet, que conta com 44,8 milhões de pessoas, tendo em média 25 dias por mês de acesso à rede. Já outro grupo, os “subconectados”, que utilizam o serviço em 19 dias por mês, em média, tem mais de 40 milhões de pessoas.

O estudo mostrou que o grupo dos “desconectados” representa 20% da população brasileira maior de 16 anos, enquanto os “subconectados” junto aos “parcialmente conectados” representam 25% e 26% da população, respectivamente.

O levantamento também mostrou que esses grupos são formados por pessoas nas classes C, D e E, e também possuem menos escolaridade.

Enquanto isso, o grupo dos “plenamente conectados”, aqueles que usam a internet 29 dias por mês, em média, representa 49,4 milhões de brasileiros. O número representa 29% da população com mais de 16 anos, composto por pessoas das classes A e B, e são mais escolarizadas.


Mesmo com a tecnologia 3g e 4g tendo uma cobertura nacional, junto a chegada do 5g, pelas operadoras, o acesso à tecnologia é uma carência grande no país (Foto: Reprodução/hardware.com.br)


“Apenas 8% dos internautas ‘plenamente conectados’ pertencem às classes D e E, enquanto entre os ‘desconectados’, eles representam 60%”, segundo mostra o estudo.

Conforme diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotivas, a pesquisa contraria o senso popular de que todos no Brasil estão conectados.

“Por mais que a democratização do acesso tenha crescido numa velocidade muito rápida, no Brasil, esse acesso se dá de forma muito desigual”, afirmou, em entrevista ao g1.

O mercado de trabalho

O relatório apontou a desigualdade nas condições de acesso à internet que dificultam o cotidiano de uma parte de usuários que trabalham em casa.

Dentre os principais obstáculos apontados, estão a instabilidade do sinal da internet (48%), a velocidade da rede (44%) e a qualidade do sinal (44%). Para 28%, a falta de conhecimento para utilizar a internet atrapalha a rotina também.

Esse último fator concorda com a percepção de 85% dos entrevistados, que consideram importante saber usar bem a internet atualmente. Já 91% dos entrevistados concordam que saber usar bem a rede será importante no futuro.

Para Marco Castro, presidente da PwC Brasil, é necessário investir mais em temas que contemplem o acesso à tecnologia e a educação digital para que evitar a ampliação da desigualdade. Ele pontua que o Brasil não atende a demanda por profissionais qualificados na área de tecnologia.

“A gente tem uma carência de mão de obra. Hoje em dia, você não encontra profissionais de tecnologia para suprir total necessidade que o mercado tem e, cada vez mais, a gente tem a crença de que toda empresa, no futuro, será uma empresa de tecnologia”, explica.



Foto destaque: Reprodução/Getty Images/iStockphoto/Agência Brasil