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Cai em mais de 90% a população de botos-cinza no Rio de Janeiro

06 Mai 2022 - 12h07 | Atulizado em 06 Mai 2022 - 12h07
Cai em mais de 90% a população de botos-cinza no Rio de Janeiro

O botos-cinza, espécie símbolo do estado do Rio de Janeiro, está ameaçada. Atualmente existem apenas 30 vivendo na região, uma redução de 92%, comparado a 1980, quando a população de botos eram de 400. Os números são do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o Projeto Maqua. Pesquisadores, afirmam que a situação vivida pela espécie é de vulnerabilidade.

Em entrevista para a CNN Brasil, o professor José Laílso diz que, a população atual é reflexo da interferência humana sem responsabilidade para preservação do ecossistema. Ele destacou a diferença entre o número de animais em um local com menos interferência.

É uma população praticamente vestigial. Para se ter ideia, outras baías costeiras, que também têm o mesmo boto, como a Baía de Sepetiba e a Baía de Ilha Grande, hoje, são cerca de 1.500 animais em Sepetiba e mais de 2 mil na Baía de Ilha Grande”, destacou.

De acordo com o Boletim de Saúde Ambiental do Inea, de 15 municípios contemplados pela Baía de Guanabara, somente Niterói apresenta índices bons de tratamento de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Na média geral da área, 35% dos esgotos são tratados e quatro das cinco regiões da baía têm a qualidade da água classificada entre moderada e muito ruim.


Boto-cinza (Foto: Reprodução/Infoescola)


Além disso, o despejo industrial é a principal ameaça para a sobrevivência dos botos, segundo os pesquisadores. São componentes tóxicos, como o ascarel, um isolante, que prejudicam a qualidade das águas e a biologia dos botos.

O que chega na Baía Guanabara não é só esgoto, não é só matéria orgânica. Chega muito mais coisa de origem industrial. Muitos desse compostos mexem com duas coisas fundamentais: o sistema imune e o sistema reprodutivo. E com o acúmulo desses poluentes, os animais morrem em decorrência de doenças, ficam mais suscetíveis a doenças das mais variadas. A gente sabe que eles estão entre os animais mais contaminados do mundo”, afirmou José Laílson.

O declínio da população de botos-cinza se deu, por conta da qualidade ambiental, ou seja, as condições essenciais para a sobrevivência desses animais. Os manguezais, por exemplo, que são um dos ambientes naturais de maior produtividade do Brasil, já ocuparam quase toda a orla da Baía de Guanabara.

Atualmente, o ecossistema, que funciona como um filtro biológico, concentra-se nos pontos protegidos pelo Ibama, na cidade de Guapimirim, essa redução se deu por conta de aterros e construções de vias rápidas que ligam a região metropolitana do Rio de Janeiro a outros municípios.  “A Baía de Guanabara perdeu o espelho d’água, perdeu áreas de manguezal, que são áreas para a reprodução de peixes, que fazem parte da dieta dos botos. Houve um aumento abusivo do trânsito de embarcações, que gera uma poluição acústica sobre a vida aquática também muito importante. Isso gera estresse nos animais, dificuldade para fugir das presas e interfere na comunicação dos botos. Eles não conseguem enxergar às vezes mais do que um palmo na sua frente porque a água é muito turva. E eles usam na navegação, para monitorar filhotes, interagir, pescar. Então é muito importante essa questão acústica”, afirmou o pesquisador.

Leilão da Cedae

O leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro arrecadou quase R$ 25 bilhões em duas sessões, em 2021. A concessão da estatal condiciona as empresas vencedoras investimentos que garantam a despoluição da Baía de Guanabara até 2033.

Foto destaque: Boto-cinza Reprodução/G1

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