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Carnes de segunda e de terceira estão mais caras para os brasileiros

13 Out 2021 - 16h57 | Atulizado em 13 Out 2021 - 16h57
Carnes de segunda e de terceira estão mais caras para os brasileiros

O aumento do preço das carnes refletiu diretamente nos valores dos cortes das peças de segunda e de terceira. Em açougues há o relato de que a carcaça temperada, o pé de galinha e pescoço, além de outras partes de boi, da vaca e também do porco, tiveram um aumento na procura e no valor. 

A nível nacional, não há dados sobre esses cortes. Na cidade de São Paulo, o preço do pescoço de frango teve alta de 15,79% no mês de setembro, se comparado com os últimos 12 meses, de acordo com a consultoria Safras e Mercados.

A elevação dos preços em porcentagem tem afetado algumas peças. 45% é a alta para a carcaça temperada de frango. Já o dorso foi para 60%. Na família dos suínos, o que ficou mais caro foi o espinhaço (coluna do porco) com 23,91% de aumento. A orelha ficou em 20%.

Diego Moscato, que é o cofundador da Rede Mais Açougues, comentou sobre o cenário de venda. Segundo ele “Nas lojas de São Paulo, Minas, Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, todos confirmaram que essas carnes foram mais vendidas por conta da crise"

Com 26% de crescimento no consumo, o pé de frango lidera a lista. Enquanto o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) restringe a sua pesquisa a venda de carnes de primeira e de segunda ou aos produtos em geral, como o frango e o porco, a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), não disponibiliza os dados sobre esses cortes.

Com unidades em 10 estados, a Rede Mais Açougues informou que as 'carnes de ossos', como são classificadas as partes menos nobres, chegaram ao patamar de 100% e ficaram mais caras do início da pandemia e agora.

De acordo com Diego, cofundador da rede, por conta da alta na procura, foi necessário fazer com que o valor desses cortes com o restante das carnes fosse equiparado. 

Moscato conta que teve uma queda de 22% em relação a venda de carnes de primeira, como a maminha. Para ele, o consumo ainda é mantido em unidades que ficam em regiões das classes A e B.

De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha em 20 de setembro, para economizarem nas refeições, 67% dos brasileiros tiveram de retirar a carne vermelha da sua lista de compras. Conforme aponta o IBGE, entre agosto de 2020 e 2021, o preço da carne bovina acumulou uma alta no preço de 36%. No mesmo período, o frango ficou 40% mais caro e os ovos subiram 20%. 

Elizangela Neres, dona de um açougue em Paiva (MG) relata “Tivemos uma mudança radical depois do aumento da carne. Eu vendia boi. Muita gente migrou para porco, frango, reduziu a quantidade de carne mais cara e o pessoal começou a reduzir carne mais em conta, sim”

Do Rio de Janeiro, o açougueiro Alvimar Gaspar conta que os miúdos, como o fígado, e os processados, como a salsicha, também tiveram uma procura.

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A divulgação da imagem de pessoas buscando por ossos descartados por frigoríficos e açougues são um retrato da realidade de famílias de baixa renda nos últimos meses. 

Rodrigo “Kiko” Afonso, diretor-executivo da ONG Ação Cidadania, afirma que já a algum tempo que a carne está cara e que o consumo de ossos tem sido a única opção de alimentação de famílias mais pobres. 


O consumo de ossos tem aumentado no Brasil por conta do aumento da carne e da perda do poder de compra. (Foto: Reprodução/G1)


“R$ 170 é a média do Bolsa Família, com isso, vamos combinar, como compra comida para a família, paga o aluguel, roupa, transporte para arrumar emprego? Independente do preço da carne, já não poderiam comprar com o preço anterior”, conta o diretor-executivo da ONG.

Além de doações dos ossos para consumo, existe também a venda dessa mercadoria.A Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Santa Catarina recomendou para que os estabelecimentos doem os ossos e não os vendam.

O pedido foi após um açougue em Florianópolis estampar o cartaz ''Osso é vendido, e não dado" na loja e aparecer nas redes sociais. A mensagem foi retirada após a polêmica.

 

Foto destaque: Reprodução/semarsupermercados.com.br

 

 

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