Saúde e Bem Estar

Chances de insônia na fase adulta aumenta em adolescentes que dormem pouco

20 Fev 2022 - 14h34 | Atulizado em 20 Fev 2022 - 14h34
Chances de insônia na fase adulta aumenta em adolescentes que dormem pouco

A revista americana Pediatrics publicou na última quinta-feira, dia 17, um estudo explicando que crianças e adolescentes correm mais riscos de ter insônia na fase adulta, se cultivarem o hábito de dormir pouco.

Principal autor desse estudo, Júlio Fernandez-Mendoza, que é psicólogo clínico, certificado em medicina comportamental do sono e diretor do programa de Medicina do Sono Comportamental da Penn State Health e da Penn State College of Medicine, afirmou a CNN por e-mail que baseado em estudos realizados anteriormente pela equipe dele e de outros, o resultado apresentado  foi inesperado, pois 40% das crianças de 9 anos, que apresentaram insônia, mantiveram os sintomas até a fase adulta jovem. Disse ainda que essa proporção foi muito grande em relação ao que imaginavam.

O estudo apontou que uma criança na faixa etária de 9 anos, que dorme pouco, tem aumentada em duas vezes e meio as chances de ter insônia ao atingir os 24 anos. Já um adolescente na faixa dos 16 anos, tem o risco aumentado em cinco vezes e meio. Tudo isso comparado a crianças e adolescentes que dormem uma quantidade normal.

O estudo foi realizado a longo prazo, com 502 crianças de 9 anos, que foram reavaliadas sete anos depois, aos 16 e novamente aos 24 anos, ou seja, quinze anos depois.


Criança com insônia. Foto / Reprodução: Thaisquaranta.com.br


O sono foi avaliado pelos especialistas, baseado nos relatos dos pais, através de exames e de autorrelatos dos entrevistados.

As pesquisas foram realizadas primeiramente, com duas visitas dos participantes aos laboratórios.  A primeira no período entre 2000 e 2005, a segunda entre 2010 e 2013, onde os participantes tiveram o sono monitorado com luzes apagadas e com luzes acesas em dois períodos de testes. O primeiro no horário das 21 às 23 horas e o segundo das 6 às 8 horas.

A terceira visita realizada pelos participantes ocorreu entre 2018 e 2021, quando todos os participantes já eram adultos. Os relatos revelaram que dormiam uma quantidade entre 3 horas e meia a 11 horas por dia.

O estudo revelou uma dificuldade moderada a grave, em iniciar ou manter o sono, nesses três períodos em que os participantes realizaram os testes.

Segundo os estudiosos, os sintomas na transição para a adolescência, foram influenciados por fatores comportamentais ou por serem mais vulneráveis biologicamente nessa idade. A hiperexcitação é uma das principais peças da insônia e é muito comum entre adolescentes.

Os especialistas afirmam que é importante esse estudo da insônia na infância, para que se busque alternativas de tratamento, inclusive da saúde mental e ter melhor controle até chegar a fase adulta. Para isso, é importante que os pais fiquem atentos aos sonos das crianças e principalmente dos adolescentes e a qualquer sinal de alteração mais séria, procurem tratamento médico. O tratamento pode ser realizado com terapias comportamentais seguras e no caso de adolescentes podem ocorrer terapias cognitivo-comportamental.

Algumas dicas para evitar a insônia são: controlar o uso de telas luminosas para não prejudicar a melatonina, o quarto deve ser silencioso e escuro, evitar cochilos durante o dia e o uso de estimulantes, como café, energéticos e alguns chás. Evitar a pratica de atividades físicas a noite, dando preferencia para a parte da manhã ou tarde.

Foto destaque: Insônia. Foto/Reprodução: unsplash.com

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