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Dois brasileiros voluntários às tropas ucranianas morrem após recente ataque russo contra a Ucrânia

06 Jul 2022 - 13h11 | Atulizado em 06 Jul 2022 - 13h11
Dois brasileiros voluntários às tropas ucranianas morrem após recente ataque russo contra a Ucrânia

Brasileiros voluntários às tropas ucranianas, Thalita do Valle e Douglas Búrigo, morrem após bombardeio na cidade de Kharkiv, na Ucrânia, informa o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A confirmação das mortes recebida pelo Itamaray ocorreu nesta terça-feira (5), por meio da Embaixada do Brasil em Kiev.

Segundo as informações coletadas, as mortes aconteceram no dia 1° de julho. 

A pasta adicionou, em nota, que “mantém contato com familiares para prestar-lhes toda a assistência cabível, em conformidade com os tratados internacionais vigentes e com a legislação local”.

Civis de diversos países foram até a Ucrânia para auxiliar na defesa do país, que foi invadido pela Rússia em 24 de fevereiro deste ano. Em junho, a Embaixada do Brasil em Kiev confirmou a morte do brasileiro André Hack Bahi, de 44 anos, morador de Eldorado do Sul (RS) e deixou cinco filhos.


Companheiros de André Hack Bahi já haviam realizado pubicações sobre sua morte em redes sociais antes da confirmação de sua irmã, no dia 7 de junho. (Foto: Reprodução/Facebook)


Thalita, morta na madrugada de 2 de julho

Thalita do Valle nasceu em Ribeirão Preto (SP), tinha 39 anos, foi atriz mirim, modelo e fez enfermagem. Ela também era ativista pela causa dos animais e participava de uma ONG.

De acordo com a família, Thalita “sempre teve curiosidade em armas e entrou para uma escola de tiro”. Além disso, “participou de eventos no Srilanka, na África, tentando mudar a situação das mulheres lá. Foi para o Curdistão para cuidar de animais e crianças”, conta os parentes.

Ela também ajudou nas operações de resgate de animais após o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, e na enchente de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Ainda segundo a família, Thalita foi convidada para ir à Ucrânia por um amigo militar. A princípio, aceitou ser socorrista, porém com o tempo ela foi deslocada para o front de batalha, passando a ser útil em combates.

Mesmo com pedidos para que ela voltasse para o Brasil, Thalita permaneceu na Ucrânia. Segundo as informações repassadas à reportagem da CNN, o pelotão em que estava se separou após um bombardeio, e ela achou esconderijo em um bunker. Douglas, então, foi ajudá-la, mas foi atingido. A brasileira tentou socorrer o colega, mas acabou morrendo por inalação de fumaça e gases na madrugada do dia 2 de julho.

Douglas, vítima de bombardeio

Douglas Búrigo era um ex-soldado do Exército Brasileiro, natural do Rio Grande do Sul, tinha 40 anos e era proprietário de uma borracharia próxima a São José dos Ausentes (RS). A prefeitura declarou luto oficial de três dias em 4 de julho.

Ele frequentou a Escola Agrotécnica Federal de Alegrete, do Instituto Federal de Farroupilha. Búrigio serviu o Exército em Uruguaiana (RS) e, após o período, foi trabalhar como caminhoneiro.

Familiares e amigos lamentaram o falecimento: “Uma perda irreparável” e “dor insuportável”. Em entrevista à CNN, ele foi descrito como alguém “cheio de vida e alegre”, que “queria sempre ajudar os outros”.

Nota do Itamaraty

“O Ministério das Relações Exteriores recebeu, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, confirmação do falecimento de dois nacionais brasileiros em território ucraniano, no dia 1º de julho, em decorrência do conflito naquele país e mantém contato com familiares para prestar-lhes toda a assistência cabível, em conformidade com os tratados internacionais vigentes e com a legislação local", afirma a nota.

"Assim como tem feito desde o começo do conflito, o Itamaraty continua a desaconselhar enfaticamente deslocamentos de brasileiros à Ucrânia, enquanto não houver condições de segurança suficientes no país", aponta, ainda, o Itamaray.

Ressalte-se que, em observância ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, mais informações poderão ser repassadas somente mediante autorização dos familiares diretos. Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”, finaliza a nota.

 

Foto em destaque: Brasileiros voluntários da Ucrânia são vítimas de combate. (Arquivo Pessoal/Reprodução)