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Dois soldados russos se declararam culpados de crime de guerra na Ucrânia

28 Mai 2022 - 08h39 | Atulizado em 28 Mai 2022 - 08h39
Dois soldados russos se declararam culpados de crime de guerra na Ucrânia

No segundo julgamento por crimes de guerra desde o início da ofensiva de Moscou, dois soldados russos capturados se declararam culpados, nesta quinta-feira (26), de bombardear uma cidade no leste da Ucrânia. Isso desde o início da ofensiva de Moscou contra o país vizinho.

A Ucrânia deu início ao segundo julgamento por crimes de guerra desde o início da invasão russa. Em tribunal, dois militares capturados admitem que bombardearam uma cidade no leste ucraniano a partir da Rússia.

Durante o momento da audiência no tribunal distrital de Kotelevska, no centro da Ucrânia, promotores públicos pediram que os soldados Alexander Bobikin e Alexander Ivanov sejam condenados a 12 anos de prisão por violarem as leis da guerra. Já um advogado de defesa pediu clemência, afirmando que os dois soldados estavam apenas seguindo ordens de superiores e se arrependeram.

Colocados em uma câmara de vidro reforçada no tribunal, Bobikin e Ivanov reconheceram fazer parte de uma unidade de artilharia que disparou contra alvos na região de Kharkiv, na Ucrânia, a partir da região de Belgorod, na Rússia. O bombardeio destruiu uma instituição de ensino na cidade de Derhachi, nos arredores de Kharkiv, segundo os procuradores.

Descritos como um motorista de artilharia e um artilheiro, os militares foram capturados após cruzarem a fronteira russa-ucraniana e continuarem o bombardeio, afirmou o gabinete do procurador-geral.

"Sou completamente culpado dos crimes dos quais eu sou acusado. Nós abrimos fogo contra a Ucrânia a partir da Rússia", declarou Bobikin ao tribunal durante o julgamento transmitido ao vivo.


Centro comunitário destruído por mísseis russos em Derhachi. (Foto: Reprodução/Instagram)


O militar chegou a fazer um apelo para não ser condenado à pena máxima de prisão, Ivanov disse: "Eu me arrependo e peço a redução da pena". A audiência desta quinta-feira durou menos de uma hora. O veredicto está previsto para 31 de maio.

Durante o julgamento em Kiev, o sargento Vadim Shishimarin, de 21 anos, se declarou culpado pela morte de um homem de 62 anos em 28 de fevereiro, apenas quatro dias após o início da invasão russa. O militar também pediu perdão à viúva da vítima e disse que disparou sob ordens de dois oficiais superiores.

Segundo a acusação, Shishimarin comandava uma pequena unidade dentro de uma divisão de tanques. Após sua caravana de tanques ter sido atacada, ele e outros soldados roubaram um carro, e, de dentro do veículo, Shishimarin atirou contra a vítima, que teria testemunhado o roubo do automóvel.

Crimes de guerra

Os julgamentos têm um enorme significado simbólico para a Ucrânia, que acusou a Rússia de atrocidades e brutalidade contra civis durante a invasão e disse ter identificado mais de 10 mil possíveis crimes de guerra. A Rússia, por sua vez, nega ter mirado civis ou se envolvido em crimes de guerra.

 

Foto destaque: Soldados Alexander Bobikin e Alexander Ivanov. Reprodução/Times of India.

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