Notícias

Exército da Rússia dá ultimato às forças da Ucrânia para que deixem Mariupol

05 Abr 2022 - 12h38 | Atulizado em 05 Abr 2022 - 12h38
Exército da Rússia dá ultimato às forças da Ucrânia para que deixem Mariupol

Exército da Rússia deu um ultimato às forças da Ucrânia que ainda lutam pela defesa da cidade portuária de Mariupol, com um cenário de combates intensos desde o início da invasão russa ao país, há mais de um mês. A região está quase totalmente ocupada pelas tropas de Moscou, mas ainda há bolsões de resistência, mesmo diante da artilharia constante no país.


Segundo o coronel-general Mikhail Mizintsev, chefe do Centro de Controle de Defesa Nacional da Federação Russa, a primeira fase da “proposta russa é o estabelecimento de um cessar-fogo completo na área, a partir das seis da manhã desta terça-feira, pelo horário local. Já em Bucha, Zelensky aponta 'genocídio' e diz que 'crimes de guerra' dificultam negociações entre Ucrânia e Rússia

Em seguida, todos os integrantes de forças de defesa, incluindo do Exército e paramilitares, devem “entregar as armas e sair pela rota acertada com o lado ucraniano na direção de Zaporíjia até áreas controladas por Kiev”, o que ocorreria a partir das dez da manhã, no horário local. Todos aqueles que entregarem suas armas terão garantida a preservação de suas vidas, disse Mizintsev, citado pela Interfax.


Destrução em cidade da Ucrânia (Foto:Sergey Bobok/Getty Images)


Existe também a versão da imprensa russa que chegaram a elevar o tom sobre a guerra na Ucrânia e afirmar que massacre em Bucha foi obra dos próprios ucranianos. De acordo com o site Liveuamap, que monitora avanços no campo de combate, apenas áreas na região central de Mariupol ainda não estão sob controle russo, uma resistência que, para Mizintsev, é “sem sentido”.

Apenas nesta segunda-feira (4), foram registrados oito ataques com mísseis na região. A Câmara Municipal da cidade afirmou, em publicação em redes sociais, que as forças russas apoiam agora um prefeito autoproclamado e que está colaborando com os representantes de Moscou.

Em uma entrevista coletiva, o representante do Exército russo afirmou esperar que a Turquia, país que possui bom trânsito com os dois lados no conflito, convença as forças ucranianas em Mariupol a aceitarem as condições para a retirada e a deposição das armas. Ancara ainda não respondeu, assim como o próprio governo ucraniano e comandantes das milícias e batalhões presentes em Mariupol.

No último domingo, o governo turco se colocou à disposição para ajudar na retirada de civis, ucranianos e estrangeiros de Mariupol através do Mar de Azov, e afirmou estar em contato com representantes da Rússia e da Ucrânia para viabilizar tal operação. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ainda há cerca de 150 mil civis na cidade, que antes do conflito era lar de mais de 400 mil pessoas.

Nesta segunda-feira, a Cruz Vermelha confirmou que uma de suas equipes foi detida na cidade de Manhush, a cerca de 20 km de Mariupol. De acordo com um porta-voz da organização, ouvido pela Reuters, o grupo tentava chegar a Mariupol, pela quarta vez em questão de dias, para ajudar na retirada dos civis da área. Não foram dados detalhes sobre quem mantém os funcionários sob custódia, mas a vice-premier ucraniana, Iryna Vereshchuk, disse que eles estão sob poder das “autoridades da ocupação”, uma referência aos russos.

Foto Destaque: Prédios residenciais destruídos em Mariupol. Reprodução/Pavel Klimov/Reuters