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Exército gastou mais de R$ 3 milhões em próteses penianas, dizem parlamentares

12 Abr 2022 - 17h52 | Atulizado em 12 Abr 2022 - 17h52
Exército gastou mais de R$ 3 milhões em próteses penianas, dizem parlamentares

Informações obtidas através do Portal da Transparência e do Painel de preços do governo pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) e pelo senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) revelam que o Exército gastou mais de 03 milhões de reais na compra de 60 próteses penianas.

De acordo com os parlamentares, foram realizados três pregões eletrônicos no ano passado para comprar os produtos, que variam entre 10 e 25 centímetros.

Em março de 2021, foram compradas dez próteses, cada uma no valor de R$ 50.149,72. A aquisição foi feita para o Hospital Militar de Área de São Paulo e fornecidas pela Boston Scientific do Brasil Ltda.

Um segundo pregão do dia 21 de maio estabeleceu a compra de mais 20 próteses, dessa vez para o Hospital Militar de Área de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Cada produto custou ao erário público cerca de R$ 57 mil e foi fornecido pela Quality Comercial de Produtos Médicos Hospitalares Ltda.

Já em outubro do mesmo ano, cerca de 30 próteses, cada uma orçada em R$ 60.716,57, foram adquiridas para o Hospital Militar de Área de São Paulo. Quem forneceu as unidades foi a empresa Lotus Medical Distribuidora e Comércio de Produtos Médicos Eireli.

Segundo informações do portal Dráuzio Varella, as próteses infláveis podem durar entre 10 e 15 anos. Tratam-se de um pequeno dispositivo que é implantado cirurgicamente para substituir o tecido erétil para que o paciente possa recuperar a função erétil do pênis.

Os gastos serão alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MPF), conforme pedido de apuração feito pelos parlamentares.


Deputado federal pelo PSB de Goiás, Elias Vaz, que denunciou a compra pelas Forças Armadas. Foto: Reprodução/Poder Goiás


A In Magazine procurou a cúpula do Exército, que não respondeu aos contatos da reportagem. O Ministério da Defesa disse à reportagem que não se manifestaria sobre os gastos com próteses penianas porque o Exército tem autonomia para usar os recursos que lhe cabem.

COMPRA DE VIAGRA

Na última segunda-feira (11), Vaz pediu explicações ao Ministério da Defesa sobre a compra de 35 mil comprimidos de Viagra para atender as Forças Armadas. O remédio é utilizado para tratar problemas de disfunção erétil.

O governo Bolsonaro está gastando dinheiro público para comprar Viagra e em quantidade tão alta. As unidades de saúde de todo o país, entretanto, enfrentam com frequência falta de medicamentos para atender pacientes com doenças crônicas e as Forças Armadas recebem milhares de comprimidos de Viagra. O Congresso Nacional e a sociedade merecem uma explicação”, escreveu o parlamentar no requerimento.

Nos processos de compra, o medicamento aparece com o princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), nas dosagens de 25 mg e 50 mg. O maior volume, 28.320 comprimidos, é destinado à Marinha. Os medicamentos também atendem o Exército, com 5 mil comprimidos, e a Aeronáutica, com 2 mil comprimidos.

A equipe do parlamentar identificou no Portal da Transparência e no Painel de Preços do governo federal oito pregões homologados em 2020 e 2021 e ainda em vigor neste ano. O MPF foi acionado para investigar se houve superfaturamento na compra do remédio.

Sobre a compra dos comprimidos de Viagra, o Ministério da Defesa afirmou que a aquisição da Sildenafila visa o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). “Esse medicamento é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de HAP”, disse em nota.

A Defesa ainda acrescentou que “os processos de compras das Forças Armadas são transparentes e obedecem aos princípios constitucionais”.

 

Foto destaque: Imagem de uma prótese peniana. Reprodução/Internet.