Saúde e Bem Estar

Gripe ou covid: conheça os sintomas para diferenciar os vírus

22 Jul 2022 - 16h50 | Atulizado em 22 Jul 2022 - 16h50
Gripe ou covid: conheça os sintomas para diferenciar os vírus

Depois de dois anos do início da pandemia da Covid-19, os sintomas ainda se confundem como a gripe. As taxas de infecção estão em alta e ainda precisa ficar de olho nos sintomas.


Tanto a gripe como a Covid-19, os idosos continuam sendo mais afetados (Foto: Reprodução/Freepik)


A dor de garganta, dor de cabeça, coriza, nariz entupido e tosse são características dos sintomas de Covid-19, mas só pelos sintomas não é possível afirmar que você está com gripe ou Covid-19, é necessário fazer o teste, por mais que especialistas apontam que é provável você estar com coronavírus do que uma gripe.

Salvador Peiró, médico especialista em saúde pública e pesquisador em farmacoepidemiologia da Fisabio, uma fundação de pesquisa biomédica na Espanha, falou para a BBC News Mundo sobre os sintomas da Covid.

"A Covid pode ter todos os tipos de sintomas. Pode variar desde não apresentar nenhum sintoma até apresentar alguns muito semelhantes aos da gripe. Neste momento, vemos mais tosse seca e menos problemas de anosmia (perda do olfato), embora também haja casos. Da mesma forma, pode causar desde muco no nariz e algo mais parecido com um resfriado muito forte com febre, muita fraqueza, mal-estar em geral, cansaço e dor de cabeça. Varia muito de pessoa para pessoa."

Para Peiró, a perda de paladar ou olfato estão em apenas 20 a 25% dos casos de Covid atualmente, e de que o vírus não seria percebido se não tivessem os testes de antígeno ou PCR.

"(A Covid) é indistinguível de qualquer outro quadro de vírus respiratório. Na verdade, se não fossem feitos os testes de antígeno ou PCR, não saberíamos de que vírus se trata. Em alguns casos, há diarreia, que às vezes também aparece na gripe. Mas, em geral, neste momento, se houver um quadro respiratório, o mais lógico é pensar que se trata de Covid."

Ainda existem diferentes situações para a Covid-19, muitas pessoas ficam assintomáticas, outras com poucos sintomas, que parece com gripe ou até pneumonia. O coronavírus é transmitido mais rápido do que uma gripe, em um jantar com 15 pessoas e uma delas está com Covid, 13 ou 14 pessoas podem ser infectadas, ao contrário de uma pessoa com gripe, que pode infectar até duas pessoas mais próximas. Quique Bassat, epidemiologista e pesquisador do Icrea (Instituto Catalão de Pesquisas Avançadas) do Instituto de Saúde Global de Barcelona, falou sobre a situação da gripe, que ainda mata muitas pessoas na Europa, chegando até 20 mil mortes na Espanha, em anos considerados "ruins".

"A gripe mata os vulneráveis, não mata as pessoas saudáveis. A gripe é essencialmente um problema dos doentes crônicos e dos maiores de 65 anos. Por isso, essas populações são vacinadas."

A solução para não viver uma pior fase está na vacinação. Para Bassat, o vírus chegou a ser benigno.

"O vírus agora é muito benigno, mas porque estamos vacinados. O vírus também mudou, mas podemos ficar mais tranquilos porque, ao estar vacinados, já não vemos casos tão graves ao nosso redor. O cerne da questão não é se a Covid se parece ou não com a gripe. Todas as variantes são diferentes das outras. O cerne é que estamos vacinados. É isso que muda a perspectiva. Qualquer uma das novas variantes pode causar um quadro grave entre os não vacinados. Há uma porcentagem muito alta da população vacinada e por isso parece ser benigna."

Para Peiró, é difícil afirmar que as novas variantes não sejam mais graves, mas que a Covid vai continuar durante um tempo.

"Estamos tendo cada vez mais reinfecções. As novas variantes escapam facilmente da imunidade que a Covid deixou com outra variante. Isso significa que as ondas não vão baixar.Podem existir variantes graves, embora se acredite que sejam menos graves. Em grande parte porque a população vai estar cada vez mais infectada, terá imunidade por ter tido Covid ou por ter duas, três ou quatro doses da vacina."

Segundo o especialista, as vacinas estão funcionando bem e evita até 90% de quadros graves de Covid-19, evitando a evolução e a lotação de hospitais. 

Foto destaque: Jovem fazendo o teste de Covid-19. Foto: Reprodução/Hilab