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Grupo chamado 'Guardiões da Floresta' seguem no compromisso de impedir o desmatamento da Amazônia

07 Fev 2022 - 15h25 | Atulizado em 07 Fev 2022 - 15h25
Grupo chamado 'Guardiões da Floresta' seguem no compromisso de impedir o desmatamento da Amazônia

Uma união feita pelo grupo "Guardiões da Floresta" carrega armas de fogo para se defender de invasores capazes de destruir todo seu trabalho, como a polícia ambiental e madeireiros. Dois anos depois do assassinato de um dos líderes do grupo florestal, a proteção das reservas no Oeste do Maranhão vive.

Essa é uma reportagem do Fantástico, que durante uma semana acompanhou o esforço dos guardiões para repreender qualquer invasão perigosa a floresta Amazônica. 

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A terra indígena denominada Caru, no Oeste de Maranhão é uma área do que a cidade de São Paulo, e onde vivem hoje mais de 400 indígenas de três etnias: guajajara; awá guajá e os awás isolados, que não possuem contato com homem branco.

A Constituição diz que cabe à União proteger as terras indígenas. Mas com o número de invasões crescendo nas áreas do Maranhão, o Grupo Guardiões da Floresta passou a patrulhar as reservas desde o ano de 2012.


Rio Juruá, um dos locais protegidos pelos Guardiões da Floresta. (Foto: Bruno Kelly/ DW Brasil)


"Quando a gente tomou essa iniciativa de criar o grupo de guardiões, é porque realmente a nossa área estava bastante invadida na época, né? Tinha muitos tratores, muita destruição e muito conflito também", diz o cacique Antônio Wilson Guajajara.

Paulo Paulino Guajajara, um dos líderes do grupo, foi morto a tiros por madeireiros. O Conselho Indigenista registra 34 indígenas assassinados ou desaparecidos no Maranhão nos últimos dez anos.

A terra indígena Caru, uma das patrulhas dos guardiões, é cortada por rios que fazem divisa com pequenos povoados, o que é um aspecto que facilita as invasões. Quando os madeireiros percebem a aproximação dos guardiões, jogam imediatamente a madeira no fundo do rio e fogem.

Dados do Instituto Socioambiental, o ISA, dispõe que em um ano, a terra indígena Caru perdeu 32 hectares de mata.

O repórter Alex Barbosa conta: "A impressão que a gente tem é que foi montada uma serraria no meio da Floresta Amazônica. Eles não só cortaram a árvore, como serraram toda a madeira e a deixaram pronta para comercialização. O que para os madeireiros é dinheiro, para os guardiões é menos vida na floresta a cada clarão aberto".

Os guardiôes costumam apreender ou inutilizar os equipamentos dos madeireiros, e os obrigam a construir a madeira ali mesmo, para evitar que ela seja vendida.

Três homens foram pegos em flagrante com madeira e boi de transporte, sendo assim, os invasores se retiraram depois do pedido da presença do responsável pela madeira. Porém quando voltam estão acompanhados por um policial militar e outros homens.

"A gente acabou observando do outro lado que já tinha gente deitado, posicionado com armas de fogo, e a gente já estava sob mira", relatou Hernade dos Santos Guajajara. 

O policial acompanhado dos madeireiros é Robson Araújo de Souza, sargento da Polícia Militar na cidade de São João do Caru, às margens da reserva. O servidor público não tomou nenhuma atitude referente a madeira ilegal da reserva e liberou os madeireiros e os bois.

O repórter, em um posto da Polícia Militar, questionou a decisão do policial Robson, e ele negou que essa seja a sua função, não pretendendo impedir a extração ilegal de madeira dentro da reserva.

Contudo, durante a negociação na floresta, ele não propôs esse argumento.

Foto em destaque: Cláudio José da Silva, um dos integrantes do grupo "Guardiões da Floresta" da terra indígena Caru, estado do Maranhão. (Brent Stirton/Getty Images/ Human Rights Watch)

 

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