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Havan é condenada a pagar R$ 30 mil a ex-funcionária por coagi-la

20 Mai 2022 - 21h59 | Atulizado em 20 Mai 2022 - 21h59
Havan é condenada a pagar R$ 30 mil a ex-funcionária por coagi-la

A Havan foi condenada pela Justiça a pagar uma indenização por dano moral de R$ 30 mil contra uma funcionária. A decisão foi tomada na última terça-feira (17) e cita um vídeo mostrando o dono da empresa, Luciano Hang, dirigindo-se aos funcionários, "com vistas à induzi-los a votar em seu candidato", nas eleições de 2018. O candidato do empresário na época era o atual presidente da República, Jair Bolsonaro.

Segundo a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2 Região, as pressões de Hang se enquadram em “utilização de poder diretivo do dono” da Havan para “induzir seus empregados a votarem em seu candidato”.


Luciano Hang, presidente daa Havan e Bolsonaro. (Reprodução/Blog O Globo)


“Luciano Hang dirigiu-se diretamente a seus funcionários, com vistas à induzi-los a votar em seu candidato, eis que, do contrário, suas lojas seriam fechadas e todos perderiam seus empregos, conduta essa ilegal e inadmissível, à medida que afronta a liberdade de voto e assedia moralmente seus funcionários com ameaças de demissão”, escreveu a juíza Ivani Contini Bramante.

A identidade do responsável pela perseguição não foi divulgada.

“O modo de agir da empresa, conforme descrito pelas testemunhas e pela mídia juntada, implica em prática de ato ilícito pela ré, que atingiu a honra da reclamante, a ofensa causou dano moral que deve ser objeto de reparação”, concluiu a juíza.

Em 2018, o empresário publicou ao menos dois vídeos afirmando que, caso Bolsonaro fosse derrotado no pleito, as lojas da Havan corriam risco de fechar e deixar milhares de pessoas sem emprego.

Também de acordo com o processo, a auxiliar de vendas Lilian de Casso Lomgobardi, que processou a rede de lojas e foi perseguida por um superior. Ela relatou provocações verbais e até arranhões. Disse que foi demitida depois de registrar um boletim de ocorrência contra o agressor.

A defesa de Hang rebateu, dizendo que as perseguições não foram comprovadas pela reclamante, além de não haver provas de dano moral indenizável.

A empresa recorreu da decisão, que foi mantida pelo tribunal por entender que os direitos da funcionária foram violados.

 

Foto destaque: A Havan é uma empresa brasileira do setor varejista. Reprodução/TI Inside.

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