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Investimentos em direitos autorais é uma realidade em Wall Street que pode incentivar a cultura

26 Out 2021 - 14h29 | Atulizado em 26 Out 2021 - 14h29
Investimentos em direitos autorais é uma realidade em Wall Street que pode incentivar a cultura

 

Se as cidades separassem um orçamento para aportar numa carteira de investimentos especializadas em direitos autorais especialistas dizem que seria um movimento inteligente porque um sucesso nunca para de tocar e porque toda música que vira um clássico  veio de algum lugar que ninguém conhecia.

Seguindo esse raciocínio o lucro pode vir dessas duas fontes: a canção já conhecida ou a futura obra a ser criada pelo artista. Esse tipo de iniciativa fomentaria a produção musical de uma forma interessante. Imagina se aquele artista que nós vemos tocando na rua pudesse vir a ser uma potencial mina de ouro, afinal ninguém sabe da onde virá o próximo sucesso. E a prova dessa realidade é que Wall Street está investindo pesado em direitos autorais. Segundo a Bloomberg os direitos autorais tem se mostrado uma classe de ativos alternativos dos mais lucrativos no maior centro financeiro do mundo. A corretora Blackstone abriu um fundo de investimento de U$$ 1 bilhão junto com a autorais Hipgnosis para investir somente em direitos autorais.

Outra que investiu U$$ 342 milhões em 83 catálogos musicais foi a Round Hill Music no ano passado, ja a Primary Wave captou U$$ 800 milhões de empresas como a Oaktree e a Black Rock Holdings para os direitos autorais.

No mercado uma transação chamou atenção. A Kobalt Music Publishing repassou seu catalogo de 62.000 direitos autorais para a KKR por U$$ 1,1 bilhão começo desta semana.

Mudanças no setor, como o crescimento das Independent Management Entities (entidades independentes de gestão, traduzido), os royalties são captados e monitorados por pessoas jurídicas. Novas formas de lucrar com direitos autorais tem aparecido no mercado financeiro.


Lucrar com direitos autorais é uma ótima ideia que as cidades poderiam encapar em suas politicas. (Foto:Reprodução/Universidadedolivro).


Quem busca um investimento de longo prazo, lucrativo, com baixa volatilidade e rendimentos consistentes tem nos direitos autorais uma ótima opção. Toda vez que a musica é executada, não importa o tempo ou o local, os detentores dos direitos autorais sempre ganham. Mesmo sendo centavos, se somados, o valor fica muito interessante, e o melhor, a musica nunca para de tocar.

Uma análise feita por especialistas mostra que nem todos estão aproveitando essa possibilidade de lucro. Se o setor privado aposta que as musicas que são clássicos continuarão a tocar, outra possibilidade fica esquecida. Quem é que vai lucrar com os novos sucessos de artistas que hoje ainda são desconhecidos?

Essa resposta poderia ser as cidades, mas a pergunta que fica é, como as cidades poderiam investir nesse mercado?

O foco é investir em artistas ja consagrados, mas, qualquer musica escrita por um artista vindo de algum lugar inesperado pode virar o próximo sucesso, Quem poderia imaginar que o maior fenômeno pop do Brasil nos últimos anos, a cantora Anita, viria de Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro e se tornaria uma das artistas mais prolificas de sua geração. Esse é apenas um exemplo.

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Para isso se tornar realidade as cidades precisariam separar um orçamento como fazem para obras de infraestrutura e direcioná-lo para melhorar as condições da educação musical, abrir oportunidades para performances e patrocinar eventos e artistas para incentivar a produção musical. Se parte desse orçamento fosse direcionado para investir em incentivo a produção autoral e em compositores regionais e em suas obras o Brasil lucraria duas vezes.  Primeiro porque estaria fomentando a produção cultural, segundo é que poderia lucrar com ela. Se basear-mos os investimentos feitos em outros setores como os de infraestrutura que demoram em média de 10 a 20 para retornarem. Com os direitos autorais poderiam fazer a mesma coisa. 

Uma boa opção seria a criação de um titulo de compositores municipais que seriam agrupados por percentuais de direitos para cada musica, assim poderia produzir um retorno similar.

As músicas estão ligadas diretamente com nossas vidas, parte do nosso tempo nos investimos nelas. Cada vez que isso acontece os donos dos direitos autorais lucram.

Infelizmente essa oportunidade não tem sido bem aproveitada pelo setor público. E se existe uma fonte inesgotável esse fonte vem dos direitos autorais. Não há limite para a criação humana. Enquanto que todos os outros recursos extraídos da terra tem um limite.  

 

Foto destaque: (Reprodução/MoneyTimes)