Saúde e Bem Estar

Israderm: cirugiã-dentista é presa em flagrante por aplicar 'botox pirateado' em pacientes

14 Fev 2022 - 13h58 | Atulizado em 14 Fev 2022 - 13h58
Israderm: cirugiã-dentista é presa em flagrante por aplicar 'botox pirateado' em pacientes

Durante o mês de janeiro uma denúncia anônima levou a polícia e a Vigilância Sanitária do Rio Grande so Sul direto a uma clínica de estética na capital gaúcha. Segundo a investigação, a cirurgiã-dentista Sandrelle Arcipretti aplicou em clientes uma substância chamada Israderm, suposta toxina botulínica, que por ser ilegal no Brasil, ocasionou a prisão em flagrante da profissional.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu no ano passado a comercialização, distribuição, fabricação e propaganda do produto no país porque não há informações sobre a procedência do químico. O frasco diz apenas que o produto é fabricado em Israel, mas uma investigação internacional do Fantástico mostra que essa informação faz parte de uma fraude. A verdadeira origem do Israderm ainda é um mistério.

LEIA MAIS

No Paraguai, contudo, a venda do Israderm é legalizada. O repórter Giovani Grizotti se dirigiu a Ciudad del Este para fazer imagens da venda do produto com uma câmera escondida. As vendedoras dizem que mandam os frascos via correio ao Brasil.


Israderm confiscado pela polívia do RS. (Foto: Reprodução/Polícia Civil).


De acordo com o banco de dados da Direção Nacional de Propriedade Intelectual do Paraguai, a pessoa por trás do registro da toxina no país é um homem chamado Tufic Mohamed El Safadí. O Fantástico entrou em contato com ele por meio de aplicativo de mensagem e questionou onde está localizada a fábrica de produção do Israderm, Safadí não informou, apenas disse que é revendedor e que compra o produto no mercado interno. Quando questionado por que registrou um nome que é igual ao de uma empresa de Israel com a qual ele não tem contrato, Toufic parou de responder às perguntas e não atendeu mais as ligações.

Em dezembro do ano passado o dono de uma clínica de procedimentos estéticos em São Paulo fez um alerta na internet contra o Israderm e disse que pacientes desavisados são atraídos pelo preço mais baixo que o de toxinas devidamente registradas e aprovadas.

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, um cirurgião plástico afirma que tratou de pacientes que disseram ter usado o produto e tiveram infecções. Ele adverte: “A gente já viu necroses de perdas do nariz e outras áreas da face devido esse tipo de complicação”.

 

Foto de destaque: frasco de Israderm. Reprodução/Polícia Civil.