Saúde e Bem Estar

Levantamento aponta: 3 mil pessoas com doenças incuráveis não conseguiram ter acesso a medicamentos no início deste ano

11 Mar 2022 - 14h48 | Atulizado em 11 Mar 2022 - 14h48
Levantamento aponta: 3 mil pessoas com doenças incuráveis não conseguiram ter acesso a medicamentos no início deste ano

Entre janeiro e fevereiro de 2022, cerca de 2.801 pacientes com doenças incuráveis e, que precisam de tratamento contínuo, ficaram sem receber medicamentos, como é o caso de pacientes portadores de lúpus, osteoporose e doença de Crohn, além de outras enfermidades crônicas.

Entre os estados, São Paulo é o líder na lista dos que tiveram problemas no abastecimento, com 1.663 relatos. Em seguida, vem Rio de Janeiro, Ceará e Minas Gerais com reclamações de desabastecimento.


 

 

Cartela de rémedios. (Reprodução/Pexels)


De acordo com o  Movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC), da Biored Brasil, uma rede de defesa de pacientes, o relatório indicou que 63 medicamentos essenciais tiveram irregularidades no fornecimento para os estados, sendo a maior parte deles de responsabilidade do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais, sendo parte deles de custo elevado, como é o caso do infliximabe, que chega a custar R$6 mil a unidade.

Nesse sentido, a organização pública possui uma falta de medicamentos a partir de dados apontados por pacientes através de queixas registradas por meio de preenchimento de formulários eletrônicos disponibilizados nos canais da Biored Brasil.

Além disso, o relatório também destaca o tempo médio dos pacientes sem o medicamento, sendo mais de 750 pacientes com atraso de 16 à 30 dias. Mais de 500, por mais de 61 dias. Além de pacientes com falta entre 46 e 60 dias, entre 31 a 45 dias e menos de 15 dias, gerando insegurança e instabilidade. 

São Paulo lidera o ranking 

Entre os estados, São Paulo aparece em primeiro lugar com relatos de falta no fornecimento de medicamentos com 1663 pacientes sem remédios entre janeiro e fevereiro, uma posição que se assemelha muito ao ano de 2021, em que o estado também liderou com 7.832 pacientes sem medicação.

Em nota, a Secretaria de estado da Saúde de São Paulo informou que os medicamentos que são adquiridos pela pasta estão em distribuição e/ou com estoque abastecido. Assim, somente os medicamentos naproxeno 257mg e codeína estão em processo de compra. "A pasta segue cobrando celeridade na entrega ao fornecedor, que está sujeito a multa por descumprimento do prazo", diz o comunicado.

Ainda, respondeu que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão abastecidas com Ibuprofeno, Ácido Fólico, Carbamazepina, Fenitoína, Prednisona cp. e Dexametasona além de Prolopa.
 
Em suma, a melhor alternativa para os pacientes é abrir queixa na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que, inclusive, tem recebido diariamente várias reclamações sobre a falta de medicamentos. Assim, o fornecedor do medicamento tem até cinco dias úteis para resolver o problema do beneficiário nos casos de não garantia da cobertura assistencial e até 10 dias úteis em casos de demandas não assistenciais. 
 

Foto destaque: Pessoa segurando medicamentos nas mãos (Reprodução: Pexels)