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Lula é entrevistado pela Time e critica posição dos EUA e União Europeia em conflito na Ucrânia

04 Mai 2022 - 18h01 | Atulizado em 04 Mai 2022 - 18h01
Lula é entrevistado pela Time e critica posição dos EUA e União Europeia em conflito na Ucrânia

Em entrevista para a revista Time, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que os Estados Unidos e a União Europeia poderiam ter impedido a invasão da Rússia à Ucrânia, quando foi questionado em relação ao conflito. A guerra ocorre desde fevereiro e já deixou milhares de mortos.

Na publicação, a Time se refere a Lula como o “presidente mais popular do Brasil” e tratou Jair Bolsonaro (PL), atual presidente, como aliado à ideologia da extrema-direita.

Lula falou sobre a fragilidade da democracia brasileira, sua disputa contra Bolsonaro, o papel do Brasil no mercado de petróleo, além do conflito na Ucrânia, apontando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky como “tão responsável quanto Putin” pela guerra.

O ex-presidente diz que milhares de vidas poderiam ter sido salvas se os países garantissem ao presidente russo, Vladmir Putin, que não havia possibilidade de expansão da Organização das Nações Unidas (Otan) para Leste Europeu. Além disso, ele culpabiliza os Estados Unidos e a União Europeia, questionando o motivo do conflito e afirmando que, se for em razão da entrada da Ucrânia na OTAN, era só não concretizar o acordo. Em suas palavras, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, "quis a guerra".

“Ele quis a guerra. Se ele [não] quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim. Eu fiz uma crítica ao Putin quando estava na Cidade do México, dizendo que foi errado invadir. Mas eu acho que ninguém está procurando contribuir para ter paz. As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver!", destacou.

É preciso estimular um acordo. Mas há um estímulo [ao confronto]! Você fica estimulando o cara [Zelensky] e ele fica se achando o máximo. Ele fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: ‘Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer’. E dizer para o Putin: ‘Ô, Putin, você tem muita arma, mas não precisa utilizar arma contra a Ucrânia. Vamos conversar!’”, opinou Lula.

De acordo com Luis Inácio, o governante dos EUA também poderia ter evitado o avanço do conflito. Ele considera que Biden devia ter se mostrado mais aberto a conversas e assegurado que não iria ter interferência na OTAN. Destacou, ainda, que, caso fosse presidente, não aceitaria um eventual convite para que o Brasil se tornasse parte da Otan. “Deixa eu lhe contar uma coisa: se eu fosse presidente da República e me oferecessem ‘o Brasil pode entrar na Otan’, eu não ia querer”, declarou.

Candidatura 

Lula disse à revista Time que não tinha mais a intenção de ser presidente da República, quando deixou o cargo em 2010, mas decidiu voltar ao Palácio do Planalto após ao que se refere como "o golpe na presidenta Dilma Rousseff".


Lula e Dilma, ambos aliados na política brasileira por meio do Partido dos Trabalhadores (PT). (Foto: Reprodução/Sérgio Lima/Poder360)


“Quando deixei a Presidência em 2010, efetivamente eu não pensava mais em ser candidato à Presidência da República. Entretanto, o que eu estou vendo, doze anos depois, é que tudo aquilo que foi política para beneficiar o povo pobre, todas as políticas de inclusão social, o que nós fizemos para melhorar a qualidade das universidades, das escolas técnicas, melhorar a qualidade do salário, melhorar a qualidade do emprego, tudo isso foi destruído, desmontado", avaliou o ex-presidente.

Lula afirma que as pessoas que começaram a ocupar o governo no Brasil, deixando de lado Dilma Rousseff, eram políticos que tinham o objetivo definido para destruir as conquistas que o povo brasileiro tinha adquirido desde 1943.

Petróleo

Sobre o petróleo, o antigo líder do poder executivo argumentou que é inviável o Brasil abrir mão da produção e exploração neste momento. Disse ser contra a proposta do candidato à presidência na Colômbia, Gustavo Petro, que deu a ideia de um bloco antipetróleo, em que os países deixariam imediatamente de explorar o insumo.

“Veja, eu acho que o Petro tem o direito de fazer todas as propostas que ele quiser fazer. Mas no caso do Brasil é irreal. No caso do mundo é irreal. Você ainda precisa do petróleo por um tempo, você não consegue”, disse.

O brasileiro destacou que não é possível abrir mão da dependência do petróleo do dia para a noite. 

Foto em destaque: Ex-presidente Lula é capa da revista Time e sua visão sobre a guerra na Ucrânia vira destaque. Reprodução/Time.