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Mourão não comenta sobre o assunto após ser desautorizado pelo presidente Bolsonaro

25 Fev 2022 - 17h52 | Atulizado em 25 Fev 2022 - 17h52
Mourão não comenta sobre o assunto após ser desautorizado pelo presidente Bolsonaro

“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade” Essa foi a declaração do vice-presidente Hamilton Mourão na manhã de ontem, no Palácio do Planalto, que ainda comparou a ação de Vladimir Putin à de Hitler, antes da Segunda Guerra Mundial. Mourão foi o primeiro integrante do alto escalão brasileiro a comentar a situação. 

Na mesma noite em sua live oficial, o presidente Jair Bolsonaro respondeu a declaração do vice "Deixar bem claro: o artigo 84 diz que quem fala sobre esse assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro. E ponto final. Com todo respeito a essa pessoa que falou isso — e falou mesmo, eu vi as imagens — está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa"

Não é a primeira vez que o vice-presidente é desautorizado em público por Bolsonaro. Ao tomar conhecimento da fala do presidente, Mourão disse a pessoas próximas que estão tentando criar intrigas entre ele e o presidente da República, e que esta é sua opinião pessoal, segundo a colunista do O Globo, Malu Gaspar.

Apesar de ter orientado sua equipe a manter silêncio em relação a Guerra, Mourão mantém a posição que se não for parado com o uso da força, Putin vai tentar invadir outros países, assim como fez Adolf Hitler em 1938. Para ele, sanções econômicas contra a Rússia são insuficientes.



(foto: Presidente russo Vladimir Putin e Jair Bolsonaro . Reprodução/ REUTERS)


 Aliados do presidente avaliam que o presidente Jair Bolsonaro deveria condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia e, mantendo a tradição da diplomacia brasileira, insistir no caminho do diálogo e da paz.

A Embaixada Americana também cobrou uma posição do Brasil “Para buscar qualquer posicionamento do presidente [Bolsonaro], teria que procurar o Planalto, mas as falas que condenam as ações russas que violam as leis ajudam muito a diminuir essa crise", disse o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Douglas Koneff, que substitui o embaixador dos EUA no Brasil no momento.

O diplomata também citou que o Brasil tem um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ressaltou que falas que condenam as ações russas ajudam a diminuir a crise no Leste Europeu.

Foto destaque: General Hamilton Mourão. divulgação/ Bruno Batista