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Na Bahia, Bolsonaro critica governadores do Nordeste e elogia Senado por aprovação da PEC Kamikaze

01 Jul 2022 - 16h45 | Atulizado em 01 Jul 2022 - 16h45
Na Bahia, Bolsonaro critica governadores do Nordeste e elogia Senado por aprovação da PEC Kamikaze

FEIRA DE SANTANA – O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar nesta sexta-feira (1º) os governadores da região Nordeste que foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei que estabelece um teto da alíquota do ICMS sobre os combustíveis e agradeceu ao Senado por ter aprovado a PEC (proposta de emenda à Constituição) que autoriza uma série de benesses à população às vésperas da eleição e fora do teto de gastos.

As declarações do mandatário foram feitas durante visita às obras do rodoanel em Feira de Santana, cidade localizada a 100 km da capital Salvador. O ex-ministro da Cidadania e pré-candidato ao governo do Estado, João Roma, esteve presente no evento, que contou com vaias e xingamentos ao ex-presidente Lula e ao governador Rui Costa (PT).

Conhecida por ‘PEC Kamikaze’, a proposta a que Bolsonaro se referiu foi aprovada na noite de ontem (30) pelo Senado com medidas que terão um custo de R$ 41,25 bilhões. O texto autoriza o governo a turbinar programas sociais, como o Auxílio Brasil, e ainda dribla a lei eleitoral, que impõe restrições ao uso da máquina pública para beneficiar candidatos em detrimento de outros.


Texto aprovado ontem pelo Senado chegou a ser chamado de "PEC Kamikaze" pelo ministro Paulo Guedes. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters


Ao falar sobre a PEC, Bolsonaro errou ao dizer que o valor do Auxílio Brasil havia sido de R$ 400 para R$ 700 – pelo contrário, o benefício passa a ter R$ 600, valido até dezembro deste ano. A medida tem viés claramente eleitoral, vez que o presidente estava sob pressão de aliados para aprovar um pacote social na tentativa de tirá-lo do segundo lugar nas intenções de votos.

É no Nordeste em que o mandatário possui maior rejeição: 65%. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nada de braçadas na dianteira da disputa pelo Palácio do Planalto, com 59% das intenções antes 19% de Bolsonaro.

Ainda em Feira de Santana, o presidente cobrou reconhecimento pela recente baixa no preço dos combustíveis e provocou os governadores dos nove estados do Nordeste que ingressaram na Justiça contra a lei que fixa um teto na alíquota do ICMS. “Infelizmente, os nove governadores do Nordeste entraram na Justiça contra redução de impostos estaduais. Não querem colaborar com o povo. [...] Querem arrecadar cada vez mais e extorquir o contribuinte brasileiro”, disse.

Antes de chegar ao local da solenidade, o presidente participou de uma motociata que partiu do Aeroporto da cidade – João Roma estava na garupa de Bolsonaro. Diferentemente das outras ocasiões, o mandatário usou capacete e só o retirou minutos antes de chegar ao evento – na plateia, manifestantes usavam camisetas com as cores das bandeiras do Brasil; algumas pediam intervenção militar, outras falavam em voto impresso.

Bolsonaro fica na Bahia até sábado (02), quando participa de outra motociata em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil na Bahia. Outros presidenciáveis, como Lula, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB), também desembarcam na capital baiana nesta sexta-feira.

Hoje é o último dia permitido pela Justiça Eleitoral em que o chefe do Executivo ou qualquer outro candidato pode participar de inauguração de obras públicas.

 

Foto de Destaque: O presidente Jair Bolsonaro, do PL. Evaristo Sá/AFP