Saúde e Bem Estar

Novo estudo internacional aponta que o excesso de álcool pode provocar câncer de esôfago

09 Nov 2021 - 13h15 | Atulizado em 09 Nov 2021 - 13h15
Novo estudo internacional aponta que o excesso de álcool pode provocar câncer de esôfago

Pesquisadores do Inca(Instituto Nacional do Câncer) atuaram em um estudo internacional para compreender as variações sofridas pelas células do esôfago que desenvolvem nesse órgão, o câncer. Respostas brasileiras apontam que o excesso no consumo de bebidas alcoólicas pode causar sinais físicos nestas células, o que pode gerar um carcinoma epidermoide, que é o tumor mais constante nessa região. Confirma-se que o consumo de bebidas alcoólicas pode causar modificações genéticas em seres humanos. O artigo final teve publicação na revista científica Nature Genetics.


(Foto: Reprodução/Pexels/Pixabay)


As respostas obtidas pode auxiliar no desenvolvimento- num futuro próximo- de um exame de sangue que mostre quem pode ou não averiguar um provável câncer de esôfago.

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É muito raro realizar o diagnóstico precoce deste tipo de tumor. Porque os sinais da doença só aparecem quando já se está em uma fase avançada. O perfil dos brasileiros que sofrem da doença são homens que fazem consumo excessivo do álcool, cerca de 500ml todos os dias, além de fumar regularmente e consumir líquidos muito quente com frequência. A tarde descoberta da doença reduz o prognóstico dela: apenas 15% das pessoas com a doença estão vivos depois de 5 anos da descoberta. Este é o 6º câncer que mais afeta os homens brasileiros. Ocorre cerca de 11.300 novos casos a cada ano sendo 76% em homens e 8.700 pessoas morrem anualmente com a doença, sendo 78% do sexo masculino.

A pesquisa feita nos brasileiros é do planejamento do Mutographs, comando pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde(IARC/OMS) e pelo Instituto Sanger do Reino Unido, onde há a participação de cientistas de 10 países. 552 genomas de pessoas com a doença de 8 nações (Brasil, China, Irã, Japão, Quênia, Malawi, Reino Unido e Tanzânia) foram analisados em um período de 5 anos. O intuito era compreender o que leva a esta doença. Foi apontado através dos dados epidemiológicos que no Brasil esse tumor tem ligação com a ingestão de álcool, onde teve confirmação no estudo, além do cigarro e o consumo de bebidas quentes, sendo dominante no sexo masculino. Porém, nos outros países, não tinha dados sobre a causa da doença e esclarecimentos sobre a indiferença no sexo.

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Luis Felipe Ribeiro Pinto, chefe do Programa de Carcinogênese Molecular e coordenador de pesquisa do Inca explica que:” O estudo conseguiu comprovar que o álcool está envolvido na gênese do câncer de esôfago. Descobrimos três assinaturas mutacionais que só existem em pacientes que bebem. Há diferentes teorias de como álcool pode causar o câncer, mas mostramos claramente que o acetaldeído pode provocar mutações no DNA. Apesar de ser considerado um cancerígeno fraco, em altas concentrações ele passa a atuar como um cancerígeno forte.”

Foi verificado pelos pesquisadores outras 3 assinaturas mutacionais iguais a todos os genomas examinados no estudo, com inclusãoo dos brasileiros. A 1ª variação tem ligação ao envelhecimento precoce. A 2ª tem relação com os radicais livres, provocado pela inflamação presente no esôfago. A 3ª está relacionada a existência de enzima Apobec (arma do sistema imunológico acionada quando sofremos com infecções virais)

Desse modo, achar a assinatura mutacional deu um alerta, já que as nenhuma das pessoas acometidas da doença onde o material genético foi examinado mostrava sinal de infecção viral. Os estudiosos supõem que há algum mecanismo, que faça a ativação desta ação sem necessitar da presença de um vírus.

Resíduos das 4 variações podem ser achadas no sangue dos pacientes com o câncer do esôfago antes dos primeiros sinais começarem. É a partir disto, que os profissionais querem produzir uma biópsia líquida, como um exame de sangue, onde será possível identificar estes sinais. Hoje em dia, o primeiro exame realizado para diagnosticar a doença é a endoscopia. Deste modo, por ter alto custo- no treinamentos dos especialistas quanto na aquisição do equipamento- e o número de pessoas com a doença ser baixo em comparação à população suscetível, o valor de rastreamento é muito alto, especialmente para saúde pública. O exame de sangue será um procedimento mais rápido e barato, levando à endoscopia apenas pacientes que apresentem sinais de certas mutações genéticas.

Foto destaque: Reprodução/Michal Jarmoluk / Pixabay