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Onda de calor atinge a Europa e máxima de 44 ºC é registrada na Espanha

18 Jun 2022 - 13h45 | Atulizado em 18 Jun 2022 - 13h45
Onda de calor atinge a Europa e máxima de 44 ºC é registrada na Espanha

Foi registrada uma onda de calor que está se estendendo por toda a Europa, e os especialistas apontam que isso é somente um sinal do que está por vir, pois à medida que o aquecimento global piora, o calendário de temperatura que os europeus estão acostumados apenas em julho e agosto pode ser adiantado. Em algumas partes da Espanha e da França, as temperaturas registradas estão 10°C mais altas do que a média para esta época do ano. Isto é combinado com a seca em muitas partes da Europa.

Na Espanha, os termômetros registraram as temperaturas mais altas das últimas quatro décadas, e de acordo com o serviço de meteorologia local, as temperaturas podem chegar a 40ºC e 42ºC em Madri e Zaragoza. Esses são os maiores valores desde 1981. No sul da Espanha as temperaturas bateram os 44 ºC na última sexta-feira, quando mais de três mil pessoas tiveram que ser retiradas às pressas de um parque temático por causa de um incêndio florestal.

Incêndios florestais consumiram quase 11 mil hectares na Sierra de Culebra, no noroeste do país. “Há oito municípios evacuados e 317 moradores retirados de casa”, informou o governo regional de Castilla y León, que fica próximo à fronteira com Portugal.

Mais de 3 mil pessoas tiveram que ser retiradas do parque temático Puy du Fou, perto de Toledo, no centro do país, devido a outro forte incêndio florestal. No total, 2,5 mil visitantes, 700 funcionários, 200 pássaros, 55 cavalos e o outros animais foram evacuados. Não houve feridos, informou a administração do parque em comunicado.

Os bombeiros também combatem incêndios florestais na Catalunha, no nordeste do país.


O calor está a ser alimentado por um sistema atlântico de baixa pressão entre os Açores e a Madeira, favorecendo a subida do ar quente na Europa Ocidental. (Foto: AEMET - Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia Espanhola) 


No Reino Unido as temperaturas estão tão altas que a tradicional pista de cavalos Ascot Racecourse mudou seus protocolos, permitindo que os convidados tirassem seus chapéus e jaquetas após a passagem da Família Real. Na França, enquanto isso, algumas regiões chegaram a proibir a realização de eventos ao ar livre e em locais fechados sem ar-condicionado.

“Todo mundo agora enfrenta um risco para a saúde”, disse o prefeito de Gironde, Fabienne Buccio, a uma rádio local.

A Itália é um país que também está sendo muito afetado pela mudança climática, de acordo com organizações agrícolas, as regiões ao norte do país correm o risco de perder até metade de sua produção agrícola devido à seca, já que lagos e rios começam a registrar baixos níveis de água. A federação de empresas italianas de serviços públicos alertou nesta semana que o rio mais longo do país, Pó, está passando pela sua pior seca dos últimos 70 anos. 

Essa onda de calor aumentou também a pressão sobre o sistema de energia europeu, já que a demanda por aparelhos de ar-condicionado corre o risco de elevar os preços, aumentando o desafio de aumentar os estoques para proteger o continente contra possíveis novos cortes de fornecimento de gás russo. 

Os países estão cada vez mais preocupados com as consequências desse calor intenso, que ocasiona queimadas e secas intensas. Na Península Ibérica, de acordo com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a região está cada vez mais seca e o fluxo dos rios cada vez mais lento. Na Catalunha e em Zamora, no leste espanhol, bombeiros combatem uma série de incêndios florestais, que estão se tornado cada vez mais frequentes. Estima-se que cerca de 8.500 a 9.500 hectares foram completamente queimados nos últimos dias. 

Portugal é o único país que ainda não se preocupa totalmente com essas altas temperaturas, porém, ainda tem motivos para se manter em alerta. O mês passado foi considerado o maio mais quente dos últimos 92 anos, de acordo com a agência meteorológica do país, que alertou ainda que uma seca severa atinge a maior parte do território.

Especialistas dizem que a mudança climática já está afetando os padrões de chuva e as taxas de evaporação em toda a Europa, com efeitos indiretos para a vida selvagem, agricultura e indústria.

 

Foto Destaque: NurPhoto/Getty Images