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Pela primeira vez a OAB de São Paulo será presidido por uma mulher

27 Nov 2021 - 12h10 | Atulizado em 27 Nov 2021 - 12h10
Pela primeira vez a OAB de São Paulo será presidido por uma mulher

Pela primeira vez a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) terá uma mulher à frente da presidência, Patrícia Vanzolini foi eleita em uma votação apertada nesta quinta-feira (25), desbancando o atual presidente da entidade ,Caio Augusto Silva dos Santos, que tentava sua reeleição. A criminalista credita sua vitória também ao gênero, desde a criação da seccional em 1932, a OAB paulista nunca teve uma mulher presidindo. Em entrevista ao Estadão Patrícia afirma estar orgulhosa: "É um feito grandioso e fico muito orgulhosa”

 

Foi uma disputa acirrada, Santos tentava sua reeleição de seu mandato que conquistou em 2018. Patrícia havia se candidatado como vice na chapa de Leonardo Sica. Para a campanha de 2021 inverteram o papel e a advogada assumiu a liderança. Com mais de 100 advogados indicados para diferentes cargos, Patrícia afirma que o intervalo entre os pleitos permitiu seu amadurecimento em trabalho em grupo:“Uma coisa era ter uma mulher na cabeça de chapa. Outra coisa era ter uma professora, alguém que já tinha algum tipo de entrada entre a classe”, disse Patrícia, citando fatores que considerou decisivos para a vitória.”Foi um feito de uma chapa construída ao longo de três anos e não reunida açodadamente só para essa eleição.”


Patricia Vanzolne em entrevista ao estadão após ser eleita (Foto:Reprodução/Ricardo Teixeira/Estadão)


Segundo a resolução aprovada pelo Conselho Federal, as chapas devem respeitar a paridade de gênero e a reserva de 30% dos cargos para advogados pretos e pardos. O pleito deste ano foi o primeiro a ser aplicado à nova resolução. Na opinião da advogada o equilíbrio entre homens e mulheres é um “começo auspicioso”  e deve abrir caminhos para a atuação identitária nas seccionais nos próximos anos:“Tenho convicção de que todas essas seccionais que serão geridas por mulheres terão muita firmeza, muita ênfase e muito foco na atuação das pautas identitárias. Acho que isso é natural, até porque elas foram eleitas com essa promessa aos seus respectivos eleitorados. De nossa parte, vai haver uma mudança, sim, aqui na seccional de São Paulo”.

 

Para Patrícia, a participação feminina na presidência é um avanço em relação a anos anteriores em que apenas homens foram eleitos. Além da OAB paulista, apenas três seccionais elegeram mulheres, Bahia com a advogada Daniela Borges, Paraná com Marilena Indira Winter, e Santa Catarina com Cláudia da Silva Prudêncio.

A advogada defendeu que a entidade tenha uma atuação “serena, contida e equilibrada”, no cenário político atual onde o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, foi abertamente discutido pelo Conselho Federal, presidido por Felipe Santa Cruz. Internamente as eleições foram marcadas por tentativas de vários candidatos se desvincularem de associações político-partidárias e evitar tópicos sobre o debate do impeachment :“A OAB não pode entrar na disputa como um ator do jogo político, contra ou a favor de Bolsonaro. Quem tem que cuidar do impeachment é o Congresso”.

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Antes da eleição para a OAB-SP, Patricia Vanzolini foi vice-presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo (Abracrim-SP) e escreveu livros sobre Direito Penal. Atualmente atua como advogada criminalista e professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Escola Superior da Magistratura e na Escola Superior do Ministério Público. Em 1º de janeiro de 2022  Patricia assume o cargo para exercer o mandato até 2024.

 

Foto Destaque: Presidente eleita Patricia Vanzolini. Reprodução/Insagram