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Porta-voz da Casa Branca diz 'Brasil parece estar do outro lado' e Bolsonaro rebate ao negar que tomou partido

19 Fev 2022 - 15h16 | Atulizado em 19 Fev 2022 - 15h16
Porta-voz da Casa Branca diz 'Brasil parece estar do outro lado' e Bolsonaro rebate ao negar que tomou partido

A viagem do presidente Jair Bolsonaro à Rússia culminou na porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, dizer que o Brasil "parece estar do outro lado de onde está a maioria da comunidade global", todavia, o governante brasileiro declarou horas depois "não ter tomado partido de niguém" ao se solidarizar com a Rússia. 

Anteriormente, um porta-voz do Departamento de Estado Americano entendeu a visita de Bolsonaro ao Vladimir Putin como "não poderia ser pior".

Já na quinta-feira (17), os EUA criticava a visita de Bolsonaro à Rússia. "Vemos uma narrativa falsa de que nosso engajamento com o Brasil em relação à Rússia envolve pedir ao Brasil que escolha entre os Estados Unidos e a Rússia. Esse não é o caso. A questão é que o Brasil, como um país importante, parece ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um vizinho menor, uma postura inconsciente com sua ênfase histórica na paz e na diplomacia", apontou o porta-voz do Departamento do Estado americano à emissora TV Globo.

"Não discuti diretamente com o Presidente, mas eu diria que a vasta maioria da comunidade global está unida em uma visão compartilhada, de que invadir um outro país, tentar tirar parte do seu território, e aterrorizar a população certamente não está alinhado com valores globais, e então, acho que o Brasil parece estar do outro lado de onde está a maioria da comunidade global", concluiu Psaki.


Jair Bolsonaro acompanhado de seu filho, até então, deputado (PSL-SP), Eduardo Bolsonaro, em live com um jornal que mostra imagens suas com o presidente russo, Vladimir Putin. (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)


Bolsonaro insistiu, antes de comparecer ao encontro com Putin, que o presidente Russo "busca a paz".

"Não temo reação. O Brasil é um país soberano. Sim, tivemos informações de que alguns países não gostariam que o evento (a reunião de Bolsonaro e Putin) se realizasse, que o pior poderia acontecer com nossa presença aqui. Entendo a leitura do Presidente Putin, que ele é uma pessoa que busca a paz. E qualquer conflito não interessa a ninguém no mundo", disse Bolsonaro.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, debateram sobre a ida de Bolsonaro à Rússia. Os americanos chegaram a alertar que imagens de Bolsonaro com Putin podia trasmitir uma mensagem errada, mas o governo americano não enviou pedido para que a viagem fosse cancelada. 

O assessor de segurança nacional da Casa Branca, em resposta á TV Globo, garantiu dias antes da visita que "o presidente brasileiro é livre para conduzir sua própria diplomacia, inclusive com a Rússia".

O posicionamento do Brasil em relação ao que ocorre atualmente no Leste Europeu é importante pela posição que o país ocupa, sendo rotativo do Conselho de Segurança da ONU.

Os Estados Unidos, visando o cenário atual, buscam unir aliados do Conselho de Segurança da ONU e Otan em oposição aos supostos combates da Rússia contra a Ucrânia.

Durante live em rede social, nesta sexta-feira, Bolsonaro contou como se sucedeu a reunião com o presidente russo: "Estou muito feliz, grato ao presidente russo. A gente pede a Deus que tenha mos paz na região. Até falei lá que o mundo é a nossa casa e que Deus está acima de todos. Falei a mensagem de paz. Não fomos para tomar partido de ninguém".

"A nossa missão tinha um objetivo específico. Alguns levaram para um lado que estou apoiando A, B ou C, 'não deveria fazer isso, não deveria fazer aquilo'. Teve crítica, bastante. Viemos para cá, ficaram, realmente, boas impressões e bons negócios", afirmou o presidente.

A Rússia assegurou, na última terça (15), o abandono de algumas tropas da fronteira com a Ucrânia. Porém uma parcela da comunidade internacional afirmam que algumas tropas permaneceram, o que a Rússia nega. 

Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) dizem que a Rússia ainda é capaz de encorajar qualquer ataque para invadir a Ucrânia.

Foto em destaque: Bolsonaro e Putin reunidos causaram uma discordância generalizada, principalmente para os americanos. (Oficial Kremlin/PR)