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Putin busca inspirar militares russos ao recordar da vitória contra a Alemanha nazista

09 Mai 2022 - 15h59 | Atulizado em 09 Mai 2022 - 15h59
Putin busca inspirar militares russos ao recordar da vitória contra a Alemanha nazista

O presidente russo, Vladimir Putin, mencionou a guerra soviética contra Hitler na Segunda Guerra Mundial como exemplo para o combate que já dura 75 dias na Ucrânia. Putin discursou durante o 77º Dia da Vitória que "foi forçado" pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a atacar o povo ucraniano.

Se direcionando a militares na Praça Vermelha, no 77º aniversário do triunfo sobre a Alemanha nazista, Putin condenou o que chamou de "ameaças externas" para enfraquecer e dividir a Rússia, e insistiu em argumentos para justificar a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, culpando que a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estava ameaçando um perigo iminente perto de suas fronteiras.

Ele falou diretamente aos soldados que lutam na região de Donbas, no leste da Ucrânia, que a Rússia garantiu "libertar" do controle de Kiev.

"Vocês estão lutando pela Pátria, por seu futuro, para que ninguém esqueça as lições da Segunda Guerra Mundial. Para que não haja lugar no mundo para carrascos, castigadores e nazistas", disse Putin.

O discurso do governante russo teve a permissão de um minuto de silêncio. "A morte de cada um de nossos soldados e oficiais é nossa dor compartilhada e uma perda irreparável para seus amigos e parentes", afirmou Putin, prometendo que o Estado cuidará de seus filhos e famílias.

Ele se encaminhou à Rússia em um de seus feriados anuais mais importantes, quando o povo homenageia os 27 milhões de cidadãos soviéticos que morreram na linha de frente para derrotar Adolf Hitler, considerados o orgulho e identidade nacional para a nação russa.


Tropas russas reunidas no Dia da Vitória em Moscou desfilam em dia de celebração nacional. (Foto: REUTERS/Shamil Zhumatov)


Nazismo em pauta

Putin não tinha vitória para anunciar na Ucrânia naquele momento e seu discurso de 11 minutos, no 75º dia da invasão, foi focada especialmente pelo que ele não disse.

Ele não mencionou a Ucrânia pelo nome, não fez nenhuma avaliação do progresso na guerra e não deu nenhuma indicação de quanto tempo poderia continuar. Não houve referência à sangrenta batalha de Mariupol, onde os defensores ucranianos estiveram escondidos nas ruínas da siderúrgica de Azovstal e ainda desafiavam o ataque da Rússia.

Putin repetidamente comparou a guerra que ele define como uma batalha contra perigosos nacionalistas inspirados em "nazistas" na Ucrânia, ao desafio que a União Soviética enfrentou quando Hitler a invadiu em 1941.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse que é a Rússia que está iniciando e incentivando uma "reencenação sangrenta do nazismo" na Ucrânia em uma guerra de agressão impositiva.

O discurso de Putin foi seguido por um desfile pela vasta praça com os mais recentes tanques Armata e T-90M Proryv da Rússia, sistemas de foguetes de lançamento múltiplo e mísseis balísticos intercontinentais. Um sobrevoo planejado foi cancelado por causa de condições nubladas.

Foto em destaque: Presidente russo discursa em Dia da Vitória na Rússia, a favor da vitória contra a Ucrânia. (Sputnik/Mikhail Metsel)