O surgimento do cérebro pandêmico e como ele pode prejudicar no dia a dia

Luiz Carlos Nascimento Por Luiz Carlos Nascimento
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Muitos meses de pandemia, confinamento, um vai e vem constante das medidas restritivas têm causado uma série de malefícios ao cérebro das pessoas. Alguns cientistas estão chamando isso de cérebro pandêmico. Todo o estresse causado pela pandemia afeta negativamente na capacidade de memória e concentração, além de que, de acordo com alguns especialistas, tem causado uma diminuição no tamanho do cérebro das pessoas.

 


(Imagem: reprodução/ pexels.com)


Estresse Crônico

Uma coisa que os especialistas concordam é que a longa exposição ao estresse, chamada de estresse crônico, é o principal responsável pelas alterações que acontecem na mente.

Basta voltar um pouco e lembrar do começo da pandemia, quando a expectativa era de isolamento por alguns dias, porém foi algo que se prolongou para mais de um ano. O estresse libera cortisol e a longa exposição a esse hormônio pode afetar o volume de algumas áreas do cérebro.

“Mas quando o fim não está à vista, e o estresse continua por uma sessão prolongada, se torna problemático”, explica Michael Yassa, neurologista do Centro de Neurobiologia da Aprendizagem e Memória da Califórnia.

 

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Uma pesquisa publicada em 2018 na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia, apontou que níveis elevados de cortisol estavam ligados a uma piora na percepção visual e na memória, além de volumes mais baixos de massa cinzenta total, do lobo frontal e occipital.

Por meio de exames de imagem de pessoas socialmente isoladas, detectamos mudanças no volume das regiões temporal, frontal, occipital e subcortical, assim como no hipocampo e na amígdala“, conta a neuropsicóloga Barbara Sahakian, da Universidade de Cambridge, que tem estudado os efeitos do distanciamento social no cérebro.

Os efeitos do cérebro pandêmico ultrapassam o comprometimento da memória ou a piora na capacidade de aprendizagem. Oscilações constantes de humor, dificuldades nas tomadas de decisões, incapacidade de concentração, sentimento frequente de medo são algumas das consequências da exposição prolongada ao cortisol, afetando várias redes neurais.

“Muitos pacientes descrevem uma sensação de ‘névoa cerebral’ e se queixam que não tomam mais decisões da mesma forma que faziam antes”, afirma Yassa à BBC News Mundo.

 



(Foto: Reprodução / pixabay.com)


 

O estresse é algo que faz parte do dia a dia das pessoas e cada uma lida de maneiras diferentes. O cérebro pandêmico afeta os indivíduos de maneiras diferentes, uma vez que deve se levar em conta o nível de resiliência individual e o nível de estresse que cada um está submetido.

A autogestão do estresse é algo pessoal que nem todos nós alcançamos da mesma forma. Todos nós já tivemos estresse em nossas vidas. Se conseguimos superá-lo, esse estresse pode até ser bom em certo ponto, explica Barbara Sahakian.

Não é impossível superar as mudanças causadas pelo cérebro pandêmico, mas é preciso entender que pode levar um tempo para resolver todas essas questões. Além de que, em alguns casos, talvez seja melhor a busca de ajuda de profissionais. De acordo com Sahakian, a causa de todo esse estresse deve desaparecer para que ocorra a superação de fato.

À medida que as liberdades forem recuperadas, e as pessoas retomarem o contato social, todos nós vamos melhorar“, complementa Sahakian.

 

(Foto destaque: Reprodução/ Pixabay/ Gerd Altmann)

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