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Saúde e Bem Estar

Tudo que você precisa saber sobre SOP: Síndrome dos Ovários Policísticos

Dra Anamarya Rocha, ginecologista endócrina, esclarece sobre a enfermidade da Dra. Deolane Bezerra

Tudo que você precisa saber sobre SOP: Síndrome dos Ovários Policísticos

Deolane Bezerra recentemente publicou em suas redes sociais que estava realizando uma pilha de exames, pois havia se queixado para sua médica ginecologista que estava com baixa libido. Durante seu retorno com a Dra. Anamarya, ginecologista endócrina da JK Estética Avançada, foram evidenciadas alterações hormonais e deficiência de vitaminas. Tivemos acesso a uma entrevista exclusiva com médica que esclareceu as principais dúvidas sobre o tema. 

Dra. Anamarya explicou que Deolane é portadora de uma enfermidade endócrino metabólica chamada Síndrome dos Ovários Policísticos. Esta síndrome acomete as mulheres em idade reprodutiva e se caracteriza por sinais clínicos de aumento de hormônios predominantemente masculinos no corpo da mulher (hiperandrogenismo) e em alguns casos se traduz em períodos longos de ausência da menstruação.  Embora o seu nome faça alusão aos ovários, nem sempre a síndrome deixa os ovários com aspecto policístico. Sua  prevalência varia de 6% a 16% dependendo da população estudada e do critério diagnóstico empregado.  Estima-se que, no mundo todo, 105 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos de idade (sendo 4 milhões americanas) apresentem a SOP, a qual é responsável por 72 a 82% das causas de hiperandrogenismo.


Tudo que você precisa saber sobre SOP: Síndrome dos Ovários Policísticos
Dra. Anamarya (Foto: reprodução)

Vários fatores têm sido implicados na etiopatogenia da SOP, havendo componentes genéticos envolvidos, fatores metabólicos pré e pós-natais, distúrbios endócrinos hereditários, como a resistência à insulina e o diabetes mellitus tipo II (DMII), e fatores ambientais (dieta e atividade física). Em geral, esta síndrome aparece já na adolescência após a primeira menstruação da mulher (menarca) e pode ocorrer enquanto a mulher menstruar (menacme).

Pelo menos 50% das mulheres com SOP são obesas e a maioria, senão todas, apresenta resistência à insulina (intrínseca à SOP e independente da obesidade) e hiperinsulinemia  (aumento da insulina no sangue), as quais se caracterizam clinicamente pela presença de acanthosis nigricans ( pele escurecida em região de dobras como virilha e parte posterior do pescoço ). 

Antecedentes de baixo peso ao nascer e pubarca (aparecimento de pelos pubianos em adolescentes) precoce conferem risco aumentado para o aparecimento da SOP, cujos sintomas usualmente se iniciam na época da menarca. Início após a puberdade também pode ocorrer como resultado de modificadores ambientais, tais como ganho de peso e vida sedentária. 

Os sintomas desta síndrome incluem: ciclos menstruais irregulares, podendo ter ausência da menstruação por meses,  o sangramento uterino disfuncional, infertilidade, hirsutismo (aumento de pelos no corpo), acne e alopécia, devido ao aumento de hormônios masculinos (androgênicos) no corpo da mulher.

O diagnóstico de SOP pode ser feito com dois dos três critérios a seguir: clínico, laboratorial e de imagem. Se apenas o diagnóstico laboratorial e de imagem estiverem presentes, então ela pode ser assintomática. 
A SOP engloba um amplo espectro de sinais e sintomas de disfunção ovariana. Em 2003, o consenso de Rotterdam propôs que a SOP pode ser diagnosticada após a exclusão de outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo ( hiperprolactinemia, formas não-clássicas das hiperplasias adrenais congênitas, síndrome de Cushing, neoplasias secretoras de andrógenos, hipotireoidismo ).

Pela presença de pelo menos dois dos três seguintes critérios, é possível fechar o diagnóstico de SOP:

1. Oligomenorréia ou amenorréia, que nada mais são do que ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação por meses; o sangramento uterino disfuncional ( alteração do fluxo menstrual ) e consequentemente a infertilidade. 
2. Níveis elevados de andrógenos circulantes  e/ou manifestações clínicas do excesso androgênico ( hiperandrogenismo, caracterizado por hirsutismo, acne e alopécia ) 
3. Morfologia policística dos ovários ( presença de 12 ou mais folículos, medindo 2 a 9 mm de diâmetro e/ou volume ovariano acima de 10 cm3) à ultrassonografia (US).

O diagnóstico clínico pode ser dado no momento da consulta; o laboratorial, após a avaliação dos exames hormonais e o de imagem com a realização de ultrassonografia pélvica ou transvaginal.

Tanto as pacientes obesas como as não-obesas com SOP apresentam aumento da razão cintura-quadril e células de gordura (adipócitos) de maior tamanho, quando comparadas às mulheres sem SOP, pareadas para o índice de massa corpórea (IMC).

A SOP é importante fator de risco para diabetes mellitus do tipo 2 (DM2) em adolescentes e mulheres na pré-menopausa. Cerca de 30% das mulheres com SOP apresentam tolerância à glicose diminuída e aproximadamente 10% delas têm DM2, taxas de prevalência muito maiores que as observadas em mulheres americanas normais, entre 20 e 44 anos de idade (7,8% para tolerância à glicose diminuída e 1% para
DM2 não-diagnosticado). Embora o risco de desenvolver tolerância à glicose diminuída ou DM2 aumente de acordo com o grau de obesidade (90% das mulheres diabéticas apresentam IMC acima de 30 kg/m2), ele está presente também nas não-obesas e é maior nas pacientes com história familiar de DM2.

As pacientes obesas com SOP apresentam maiores níveis de pressão arterial sistólica quando comparadas às magras com SOP e às controles, sugerindo que a hipertensão arterial sustentada seja uma seqüela tardia dos efeitos estimulatórios da hiperinsulinemia sobre o sistema nervoso simpático e o músculo liso vascular. 

Além disso, níveis aumentados de colesterol de baixo peso molecular (LDL/VLDL), bem como triglicerídeos são observados em paciente com  SOP. Ambos responsáveis pelo aumento das taxas de eventos trombóticos (infarto, por exemplo). 

A SOP não tem cura. Há controle da doença e esse controle a longo prazo deve basear-se nos objetivos a seguir: melhorar a fertilidade, diminuir as complicações da gravidez (hiperestimulação ovariana, multiparidade, toxemia, diabetes mellitus gestacional e abortamento), regularizar o ciclo menstrual, combater o hiperandrogenismo e prevenir o carcinoma (câncer) de endométrio. Entretanto, atualmente, novos objetivos se impõem, visando a diminuir o risco de DM2 e, possivelmente, de doença cardiovascular.

Hábitos saudáveis como a prática de atividade física regular, principalmente anaeróbica (musculação) deve ser imperativa, juntamente com alimentação saudável e equilibrada com acompanhamento de um nutricionista. Dependendo do grau de acometimento da doença, apenas essa mudança no estilo de vida, pode proporcionar um tratamento eficaz na mulher portadora de SOP. 

A espironolactona é um antagonista estruturalmente semelhante aos progestógenos. Essa droga diurética compete com a diidrotestosterona no receptor androgênico, inibindo a 5 α-redutase, fazendo com que o hirsutismo da mulher seja controlado. 

Redução de peso deve ser recomendada às pacientes obesas ou com sobrepeso, pois perda de aproximadamente 5% do peso corpóreo pode restaurar a ovulação. Vários medicamentos podem ser utilizados no tratamento da SOP, entre eles os anticoncepcionais orais, os anti-andrógenos, os anti-estrógenos e, mais recentemente, os agentes sensibilizadores da ação da insulina (tiazolidinedionas e biguanidas). Estes têm sido empregados para reduzir o nível de hiperinsulinemia e seu impacto negativo sobre a função ovariana e a prevenção a longo prazo de suas conseqüências cardiovasculares . Estão substituindo o uso já consagrado dos anticoncepcionais orais, ou mantendo os mesmos por período de tempo curtos, pois os mesmos podem piorar a resistência à insulina, induzir intolerância à glicose aumentando o risco de desenvolvimento de DM2, elevar os níveis de triglicérides e aumentar o risco cardiovascular também devido às suas ações sobre a coagulabilidade e a reatividade vascular (eventos trombóticos). 

Anamarya Rocha
Ginecologia endócrina | Sexualidade feminina | Estética íntima 

Endereço para correspondência 
JK Estética Avançada @jkesteticaavancada
Av. Presidente Juscelino Kubitscheck,1545 
11º andar
Vila Nova Conceição 
São Paulo -SP / Brasil

Lybe Clinic @lybeclinic
Rua Ramos Batista, 198, conj 61, Vila Olímpia – São Paulo – SP -Brasil
Telefone para contato +55 (11) 99889-9100

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