Na terça-feira passada (12), cientistas compartilharam informações relevantes obtidas sobre Marte na reunião de outono da American Geophysical Union (AGU), em San Francisco. São dados que a NASA traz com o rover Perseverance, que já passa mil dias na superfície do planeta, e que hoje nos ajuda a modelar rios e lagos que existiam anteriormente no local.
Cratera Jezero
No total, desde fevereiro de 2021 (quando o robô primeiro entrou na Cratera Jezero para buscar sinais de vida), são 23 diferentes amostras de rocha que o rover já coletou no local.
“Escolhemos a Cratera Jezero como local de pouso porque imagens orbitais mostraram um delta – uma evidência clara de que um grande lago já ocupou a cratera. Um lago é um ambiente potencialmente habitável, e rochas delta são um ótimo ambiente para aprisionar sinais de vida antiga como fósseis no registro geológico,” comunicou cientista Ken Farley, do projeto Perseverance e professor de geoquímica no Instituto de Tecnologia da Califórnia. “Após uma exploração minuciosa, juntamos a história geológica da cratera, traçando sua fase de lago e rio do início ao fim.”
De acordo com os especialistas, as chances são altas de que seria um dos locais com maior possiblidade de suportar a vida orgância que a humanidade já presenciou fora do planeta Terra.
Imagem do rover Perseverance. (Reprodução/NASA/https://mars.nasa.gov/)
Como funciona
O processo de análise é relativamente simples, comforme as etapas a seguir:
- O rover Perseverance utiliza raspa uma seleção de superfícies marcianas rochosas com uma ferramenta acoplada a um braço mecânico;
- As amostras são coletadas em tubos de metal do tamanho de um giz de sala de aula;
- O robô analiza a composição das amostras com o Instrumento Planetário de Litocímica por Raios-X (PIXL).
No futuro, uma etapa adicional será realizada pela campanha conjunta Mars Sample Return, o retorno dessas amostras para análise direta. Tal missão seria fundada pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, mas ainda está longe de qualquer prazo de execução, uma vez que o rover ainda tem mais amostras para coletar em Marte.
Possíveis sinais de vida
Evidências fortes de que havia um rio habitável no local são a presença de arenito e mudstone, além de ferro e fosfato (componente importante do DNA). Morgan Cable, vice-investigadora principal do PIXL no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, apontou também a presença de silica, um grão mineral fino que é essencial para preservar molécular orgânicas em fósseis.
“Temos condições ideais para encontrar sinais de vida antiga onde encontramos carbonatos e fosfatos, que apontam para um ambiente aquoso habitável, bem como sílica, que é excelente para preservação”, disse Cable.
As amostras, até agora, possibilitaram fundar a hipótese de que a Cratera Jezero foi formada por um asteroide há 4 bilhões de anos, mas o rover Perseverance ainda não registrou de fato nenhum fóssil em Marte.
Foto Destaque: O rover Perseverance em foto tirada em novembro de 2023 no solo marciano. (Reprodução/Nasa/JPL-Caltech/CNN)