São Paulo FC tem ex-diretor investigado pela polícia por abrir 15 empresas

Ex-diretor e o presidente Júlio Casares são investigados pela Polícia Civil por movimentações financeiras atípicas enquanto trabalhavam no tricolor

12 jan, 2026
Julio Casares | Reprodução/Instagram/@saopaulofc
Julio Casares | Reprodução/Instagram/@saopaulofc

Neste domingo (11), foi exibida uma reportagem sobre as investigações da Polícia Civil envolvendo o ex-diretor adjunto do São Paulo FC, Nelson Marques Ferreira, o Nelsinho, que abriu 15 empresas durante o período em que ocupou o cargo no clube, do início de 2021 até novembro de 2026. Outro dirigente que também está sendo investigado pela polícia é o atual presidente, Júlio Casares, que responde por movimentações financeiras atípicas em suas contas pessoais.

O clube é tratado como vítima nas investigações da Polícia Civil. As apurações estão sendo conduzidas pelo mesmo delegado que investigou o esquema de corrupção no Corinthians, o delegado Tiago Fernando Correia, que afirma haver uma verossimilhança entre ambos os casos. No caso do Timão, o ex-presidente Augusto Melo foi indiciado por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro no contexto do contrato com a VaideBet. Melo também foi afastado da presidência do clube e sofreu impeachment.

Já o presidente do tricolor paulista ainda está sendo investigado e passará por um processo interno de votação para um possível impeachment na sexta-feira (16), às 18h30 (horário de Brasília), no auditório do estádio Morumbi, com voto exclusivamente presencial e secreto. 

Ex-diretor adjunto 

Nelsinho trabalhava diretamente com os atletas e fazia uma ponte entre esses atletas e a diretoria, atuava como auxiliar na direção do futebol profissional e respondia diretamente a Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol do Tricolor paulista. Permaneceu no São Paulo do início de 2021 até o final do ano de 2025.

Ele se tornou alvo de investigação da Polícia Civil porque, durante o período em que trabalhou no clube, principalmente entre os anos de 2022 e 2023, abriu 15 franquias, com 15 pessoas jurídicas em shopping centers. Esse fato levantou a suspeita do delegado Tiago Correia de um possível ganho irregular do ex-diretor ao abrir tantas empresas nesse período.


Post do São Paulo FC sobre a saída de Nelsinho (Foto: reprodução/X/@SaoPauloFC)


O delegado responsável pelo caso afirmou que, durante as investigações preliminares, surgiram denúncias anônimas enviadas pelos Correios que apontavam a existência de desvios estruturados e sistemáticos no clube paulista, além do envolvimento de dirigentes e de empresas prestadoras de serviços que também estão sendo investigadas.

No mesmo inquérito que investiga Nelsinho, Júlio Casares, atual presidente do São Paulo, e seu núcleo familiar também são alvo dessas investigações.

O delegado Tiago Correia afirmou ainda que, durante a investigação, precisou acionar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) — órgão do Estado brasileiro responsável por monitorar e combater crimes financeiros. A investigação identificou cerca de trinta e cinco saques de contas do clube em dinheiro de espécie, realizados na boca do caixa, que, no período de 2021 a 2025, totalizavam aproximadamente R$ 11 milhões.

Presidente do clube

O inquérito policial instaurado apontou movimentações atípicas nas contas pessoais do presidente do São Paulo FC, Júlio Casares. O relatório do COAF, solicitado pela Polícia Civil, indica que, durante 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025, a conta do presidente do Tricolor paulista movimentou R$ 3.197.499,41, uma média de R$ 110 mil por mês.

Casares, que recebe como presidente do clube um salário de R$ 27.505,32, teria recebido ao todo, em remuneração oficial, R$ 617.506,90. Assim, ainda faltaria esclarecer o que foi feito com aproximadamente R$ 2.579.992,51.


Post do presidente do São Paulo FC, Júlio Casares, sobre o que foi feito com o dinheiro (Foto: Reprodução/Instagram/@juliocasares_sp)


Os advogados Bruno Borragine e Pedro Ivo Gricoli Iokoi, representantes do presidente Júlio Casares, afirmaram que os saques feitos pelo clube e transferidos para contas de Casares são destinados a despesas operacionais, como pagamentos de “bicho” no dia das partidas. Eles também ressaltam que existem despesas que, em diversos casos, precisam ser pagas em dinheiro, especialmente em momentos cruciais, como clássicos ou jogos importantes.

Além dessas explicações, Borragine e Gricoli disseram em nota que todos os valores sacados são rigorosamente contados e documentados, com registros detalhados sobre sua utilização.

Para concluir, como mencionado anteriormente, na sexta-feira (16), no auditório Monsenhor Doutor Francisco Bastos, no estádio do Morumbi, acontecerá a votação para o impeachment do presidente Júlio Casares. O voto será secreto e somente poderá ser feito presencialmente. Para que ele seja afastado, é necessário que 75% dos membros votem a favor. Ao todo, 255 conselheiros têm direito a votar no processo de impeachment, sendo necessário que aproximadamente 191 votos sejam favoráveis para a saída do presidente.

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