Após avanço diplomático, Trump abandona ameaça de tarifas à Europa

Entendimento com a Otan sobre a Groenlândia leva presidente dos EUA a recuar de tarifas que atingiriam países europeus a partir de fevereiro

21 jan, 2026
Presidente Donald Trump   | Reprodução/Instagram/@whitehouse
Presidente Donald Trump | Reprodução/Instagram/@whitehouse

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou da ameaça de impor tarifas extras contra países europeus após sinalizar avanço nas negociações envolvendo a Groenlândia. A decisão suspende taxas que estavam previstas para entrar em vigor em fevereiro e interrompe uma escalada comercial que havia sido anunciada poucos dias antes.

O recuo foi comunicado por meio de uma publicação nas redes sociais, após uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Segundo Trump, o encontro resultou na construção de uma “estrutura de um futuro acordo” sobre a segurança no Ártico, o que levou à suspensão imediata das tarifas.

A tarifa que ficou no papel

A medida havia sido comunicada dias antes e previa a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos de países europeus contrários ao plano americano de adquirir a Groenlândia. Alemanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia estavam entre os alvos, com possibilidade de elevação das taxas para até 25% a partir de junho.


Trump anuncia “estrutura” de acordo sobre a Groenlândia e recua sobre tarifas (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNN Brasil)


A sinalização gerou reação imediata entre governos europeus, que reforçaram que a soberania da Groenlândia não está em negociação. A ameaça tarifária passou a ser tratada como instrumento de pressão política em meio a um impasse diplomático mais amplo, envolvendo segurança regional e interesses estratégicos no Ártico.

No novo posicionamento, divulgado na plataforma Truth Social, Trump afirmou que, com base no entendimento alcançado, não seguirá adiante com as tarifas programadas. Ele também indicou que novas rodadas de conversa seguem em andamento.

Groenlândia no centro do impasse

A Groenlândia ocupa posição central na estratégia americana por sua localização entre América do Norte e Europa e pela proximidade com rotas militares sensíveis. Trump defende que o território é essencial para o projeto do Domo de Ouro, um sistema de defesa antimíssil planejado pelos EUA para interceptar possíveis ataques ao país.


Trump simula fixar bandeira dos EUA na Groenlândia (Foto: reprodução/@realDonaldTrump/Truth Social)


Horas antes de anunciar o recuo, o presidente havia retomado o tema durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Na ocasião, afirmou que não pretende usar força militar para adquirir o território, mas voltou a defender negociações imediatas e elevou o tom contra aliados europeus.

Após as declarações, o governo da Dinamarca reiterou que não há negociações em curso para a venda da Groenlândia. A Otan tem atuado nos bastidores para reduzir tensões e manter o foco na segurança coletiva do Ártico.

Ao abandonar a ameaça de tarifas, Trump reduz a pressão econômica sobre aliados históricos e evita a abertura de uma nova frente de conflito comercial. O recuo indica uma mudança de estratégia, priorizando a via diplomática em um tema sensível do ponto de vista geopolítico. Embora a disputa em torno da Groenlândia permaneça, a suspensão das tarifas sinaliza um esforço para conter o desgaste nas relações entre os Estados Unidos e a Europa.

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