Dólar recua e chega a R$ 5,20, enquanto Ibovespa fecha no topo histórico

Dólar cai a R$ 5,20 e tem menor patamar desde maio de 2024. O Ibovespa bateu os 181.919 pontos pela primeira vez na história, números antes da Superquarta

28 jan, 2026
Dólar | Reprodução/Pixabay
Dólar | Reprodução/Pixabay

Na última terça-feira (27), o dólar fechou a sessão em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,2056, no menor patamar desde maio de 2024. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,79% e registrou um novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos. Com isso, o movimento indica que o mercado brasileiro, no geral, se valorizou.  

Também na terça-feira (27), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma prévia da inflação de janeiro (IPCA-15). O indicador evidenciou alta de 0,20% no mês, levemente abaixo das projeções, que eram de 0,22%. Ou seja, sinaliza que a pressão inflacionária está mais controlada e que não houve surpresa negativa. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%, indicando que o índice não estourou a meta, mas atingiu o limite máximo.

Essas projeções da inflação foram divulgadas em meio às expectativas da chamada Superquarta. Nesta quarta-feira (28), serão anunciadas as taxas de juros tanto pelo Brasil quanto pelos Estados Unidos. A previsão do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central brasileiro, e o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, mantenham suas respectivas taxas de juros.

Mercado no Brasil e no mundo

A prévia da inflação de janeiro foi divulgada em meio às expectativas pela primeira decisão de juros de 2026. A estimativa do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, mantenha as taxas inalteradas nesta semana, porém o mercado espera uma mudança mais para frente e que inicie o ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026.

Pesquisa Focus — um relatório semanal do Banco Central que reúne as expectativas do mercado financeiro — indica que a taxa básica (Selic) deve encerrar 2026 em 12,25% ao ano. Isso representaria uma queda de 2,75 pontos percentuais (p.p.) em relação ao atual momento, que está a 15% ao ano.


Post sobre a queda do Dólar (Foto: reprodução/Instagram/@thiago.nigro)


Em Wall Street, centro financeiro dos Estados Unidos, os índices fecharam sem direção única nesta terça-feira, enquanto os investidores aguardam a decisão de juros do Fed, questionando se Powell cederá às pressões do presidente Trump ou manterá as taxas.

O S&P 500, que reúne 500 das principais empresas dos EUA, aumentou 0,42%, enquanto o Nasdaq Composite, com forte peso em tecnologia — Apple, Microsoft, Nvidia, Google e Amazon —, subiu 0,91%. Já o Dow Jones, que reúne 30 grandes empresas tradicionais dos EUA, como Boeing, Coca-Cola e McDonald’s, diminuiu 0,83%.

Entre os destaques na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600, que reúne 600 empresas de 17 países, aumentou 0,6%, atingindo seu nível mais alto em uma semana. Em Londres, o FTSE 100 cresceu 0,58%, enquanto o francês CAC 40 subiu 0,27%. Na Alemanha, o índice DAX diminuiu 0,15% na sessão.

Na Ásia, na China, o índice de Xangai aumentou 0,18%, enquanto o CSI 300, que reúne as principais empresas do país, ficou praticamente o mesmo, com uma leve diminuição de 0,03%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,35%, refletindo principalmente a alta das ações de tecnologia.

Outros mercados asiáticos também registraram movimentos positivos. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 0,85%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve grande aumento de 2,73%, e em Taiwan, o Taiex subiu 0,79%. Em Cingapura, o Straits Times recebeu 1,28%, enquanto na Austrália, o S&P/ASX 200 aumentou 0,92%. 

Queda do Dólar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém uma sequência de embates públicos com o presidente do Fed (banco central norte-americano), Jerome Powell. Trump chegou a ameaçar indiciá-lo por declarações feitas ao Congresso sobre o projeto de reforma de um edifício, o que, consequentemente, impacta o dólar.

O embate entre os dois gira principalmente em torno de juros, inflação e independência do banco central. Trump defende juros mais baixos para estimular o consumo do dólar e aquecer a economia, enquanto Powell defende a manutenção da independência do Fed, com juros controlados, mesmo que isso signifique crescimento econômico mais lento da moeda norte-americana (dólar).

Com esses ataques de Donald Trump, o mercado passa a precificar que os juros norte-americanos podem cair antes do esperado. Juros menores nos Estados Unidos tornam o dólar menos atrativo. Além disso, os investidores ficam mais cautelosos, receosos de que Powell possa ceder à pressão política e reduzir os juros americanos mais rapidamente.

O mandato de Powell termina em maio, e Donald Trump já deixou claro que pretende indicar alguém de sua confiança para o cargo e, consequentemente, a queda do dólar pode ser prevista com essa mudança.


Jerome Powell discursando sobre o papel do Fed (Vídeo: Reprodução/YouTube/@Federal Reserve)


Outros motivos para a queda do dólar incluem o acordo entre a União Europeia (UE) e a Índia, fechado na terça-feira (27). Trata-se de um grande acordo comercial, após 20 anos de negociações, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas. A UE espera economizar até 4 bilhões de euros por ano com a redução das taxas indianas, enquanto a Índia busca aumentar as exportações de têxteis, joias e produtos de couro.

Ao mesmo tempo, a China anunciou que vai se aproximar ainda mais da Rússia, ampliando a cooperação entre os dois países para enfrentar riscos externos, especialmente após os Estados Unidos divulgarem uma nova série de estratégias defensivas, que prioriza defesa do território norte-americano, maior responsabilidade dos aliados pela própria segurança, abordagem menos confrontacional com a China, foco em pontos estratégicos como Groenlândia e Canal do Panamá.

Em um cenário global instável, UE e Índia buscam se fortalecer economicamente e reduzir a dependência de grandes potências, como China, Rússia e Estados Unidos. Outros exemplos de acordos que seguem essa lógica são: Mercosul — União Europeia e Coreia do Sul — Reino Unido, além de outros acordos que buscam fugir da dependência do dólar.

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