Lula marca encontro com Trump para discutir a situação da Venezuela
Em ligação telefônica, Lula marca visita a Washington, mas não responde se participará do Conselho da Paz, iniciativa criada pelo presidente americano
Segundo informações fornecidas pelo Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversou por ligação com o presidente estadunidense, Donald Trump, nessa segunda-feria (26). Durante a conversa, os líderes discutiram a situação venezuelana após a captura de Nicolás Maduro, e combinaram a ida do presidente brasileiro para Washington dentro dos próximos meses.
Conselho da Paz
Após 50 minutos de conversa, o Brasil foi convidado para participar do Conselho da Paz, criado por Trump, com objetivo de promover a paz e reconstruir a Faixa de Gaza. Apesar da proposta, diplomatas criticam a iniciativa afirmando que o americano busca enfraquecer as Nações Unidas. Além disso, um assento na organização custaria 1 bilhão de dólares e Donald Trump seria o presidente vitalício da iniciativa.
Lula não confirmou a participação e propôs que o órgão tenha um assento garantido para a Palestina e os debates se limitassem ao tema humanitário e a reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo fontes diplomáticas da TV Globo, o governo deve enviar pedidos de esclarecimento sobre brechas jurídicas antes de qualquer aceite.
Segundo nota do governo, o presidente brasileiro ressaltou “a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, e ainda reforçou a ideia da ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
Lula discursando durante Assembléia Geral das Nações Unidas (Foto: reprodução/Michael M. Santiago/Getty Images Embed)
Autoritarismo americano e o Conselho de Segurança
Lula não entrava em contato com Donald Trump desde o início do mês, quando Nicolás Maduro foi sequestrado por agentes americanos e levado a Nova York para depor, acusado de narcotráfico. Hoje completam 20 dias desde a prisão de Maduro nos Estados Unidos e, apesar da possível aproximação com Trump, Lula declarou abertamente ser contra as invasões americanas.
Na última sexta-feira (23), Lula disse que vê a captura do venezuelano como desrespeitosa e chegou a afirmar que a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”. Segundo o petista, vivemos em um período crítico em que o multilaterialismo está sendo jogado fora enquanto a “lei do mais forte” prevalece.
“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça pra ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo”, disse Lula.
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Discurso de Lula sobre captura de Maduro (Vídeo: reprodução/Instagram/@guarulhoshoje)
A expectativa é que Lula retome um tema que se arrasta desde seu primeiro mandato (2002) e pleiteie novamente a reforma do Conselho de Segurança e busque por uma cadeira permanente. O órgão foi criado para promover a paz mundial, mas atualmente reúne apenas 15 dos 193 países membros da ONU, sendo apenas cinco deles detentores de assentos permanentes com direito a veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.
