Manobrista Que Cuidava De Piscina Da Academia Onde Mulher Morreu Presta Depoimento
O funcionário disse ter aprendido a fazer a limpeza com o antigo manobrista; e ainda foi avisado pelo dono da academia para ‘sair de casa’ após o incidente
Ao prestar depoimento para a polícia nesta terça-feira (10), Severino José da Silva, de 43 anos, o manobrista da academia responsável pela manutenção e limpeza da piscina onde Juliana Faustino sofreu complicações que a levaram a óbito, disse que o proprietário do estabelecimento havia entrado em contato com ele no último domingo (8), e avisado sobre a investigação policial: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”. Severino prestou depoimento no 42º Distrito Policial do Parque São Lucas, em São Paulo, que investiga o caso.
No sábado (7), Juliana Faustino Bassetto, seu marido e mais 4 alunos apresentaram siais de intoxicação após começarem sua aula de natação na academia C4 Gym, o caso de Juliana evoluiu para uma parada cardíaca e ela não resistiu, já seu marido, Vinicius de Oliveira, segue internado. Segundo Severino, ao notar que os alunos estavam passando mal durante a aula, ele tentou entrar em contato com o responsável pela academia, mas não teve sucesso. Os donos da academia também são aguardados pela polícia para prestar depoimento.
Relatos do depoimento
Severino se apresentou no 42º Distrito Policial na presença de sua advogada, durante o relato, ele disse já trabalhar no estabelecimento a cerca de 3 anos, tendo a função de manobrista registrada em carteira, porém também ser o responsável pela manutenção das piscinas e ainda abrir a unidade pela manhã, outro ponto do depoimento foi o fato do manobrista ter aprendido a maneira de se limpar a piscina com o antigo funcionário que exercia as mesmas funções que ele dentro da academia, o procedimento de rotina consistia em medir os níveis da água, fotografar o resultado e enviar a imagem a Celso, o dono da academia, que indicaria quais produtos e as quantidades a serem utilizadas.
O funcionário da academia ainda deixou claro a polícia que não possuía treinamento, habilitação técnica ou equipamento de proteção individual (EPIs) para exercer a função de manusear os químicos da piscina, apesar disso, ele era o responsável por esse procedimento de rotina. Segundo ele, o proprietário da academia estava ciente dessa falta de preparo. “Tenho a declarar que sou funcionário da empresa, sigo ordens, e meu celular foi apreendido para averiguações. É isso que tenho para falar no momento.”. Severino ainda informou que a cerca de um ano atrás, a piscina precisou passar por uma manutenção onde um técnico especializado foi contratado para realizar o procedimento, após o serviço, o profissional se ofereceu para para prestar serviços permanentes no estabelecimento mas foi rejeitado pelo responsável da academia, que optou por manter o seu próprio funcionário na obrigação da função.
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Imagens de câmeras de segurança mostram funcionário manipulando produtos químicos próximo aos alunos ainda praticando durante a aula (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
O socorro e os produtos na água
No dia do ocorrido as vítimas precisaram ser socorridas por meios próprios, já que mesmo após a recepcionista do local entrar em contato com o Samu e com o Corpo de Bombeiros, nenhuma viatura compareceu ao local. Um carro da Guarda Civil Metropolitana que passava na rua no momento foi acionado para auxiliar no socorro. Após os atendimentos, o funcionário da academia retirou o balde com o produto químico da região da piscina e levou para a área externa. De acordo com o manobrista, o único produto utilizado naquele dia foi o HIDROALL Hiperclor 60, produto que havia sido recentemente adotado pelo proprietário, que estava testando uma nova forma de limpeza, o produto utilizado anteriormente era outro.
O manobrista relatou que dois dias antes do fato, havia notado que a água da piscina estava turva, e comunicou o proprietário, que o informou para que assim que as aulas se encerrassem no dia seguinte, apenas cloro deveria ser aplicado na piscina grande, e isso foi o que Severino fez na sexta-feira, ao fim do dia. No sábado ao notar que a água ainda estava com aparência estranha e, apesar dos alunos ainda estarem praticando aulas na piscina, foi solicitado por Celso que uma nova testagem do produto fosse feita na água com a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60. O funcionário teria feito a mistura do produto em um balde com água da piscina, para não despeja-lo diretamente dentro do local, com seis medidas de cloro e deixou o recipiente próximo a margem da piscina antes de voltar as suas funções originais, não há relatos de que o produto chegou a ser despejado na água. Minutos depois ele notou a movimentação anormal dentro do estabelecimento e sentiu o forte cheiro de cloro.
Posicionamento da academia
Em suas redes sociais, a C4 Gym “lamentou profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02) e informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que mantém contato direto com alunos e familiares para oferecer todo o suporte necessário”, e disse que está “colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com todas as etapas da investigação em andamento”. Eles ainda informaram que possuem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), regularidade junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) e alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023.
