Aula de natação termina em tragédia na Zona Leste de SP
Academia na Zona Leste de SP é interditada após morte de professora e internação de cinco pessoas por possível exposição a produtos químicos na natação
No último sábado (7), uma aula de natação na academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo, terminou em tragédia: a professora de natação Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal durante a atividade, foi levada ao Hospital Santa Helena, em Santo André (Grande São Paulo), e não resistiu aos sintomas de intoxicação. Desde então, o número de pessoas internadas com sinais semelhantes – como náuseas, vômitos, dificuldade respiratória e mal-estar – subiu para seis, segundo informações confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) e pela Polícia Civil. O caso está sob investigação policial e pericial para identificar a causa exata da intoxicação e as responsabilidades quanto à segurança no local.
Tragédia em piscina: quando, onde e por quê?
O episódio ocorreu no sábado pela manhã, durante uma aula de natação regular na academia C4 Gym no bairro Parque São Lucas, área da zona leste da capital paulista. Inicialmente, cinco pessoas foram atendidas após apresentarem sintomas, mas com a confirmação de mais uma internação, seis vítimas estão agora sob cuidados médicos. Entre elas está o marido de Juliana, Vinícius de Oliveira, de 31 anos, que nadava junto com a vítima fatal e permanece em estado grave na UTI com insuficiência respiratória.
Além dele, um adolescente de 14 anos também está em estado grave, internado na UTI após apresentar sinais severos de intoxicação. Outra aluna de 29 anos foi hospitalizada em condição grave com sintomas que incluem dores de cabeça, vômitos e diarreia. Há, ainda, estudantes em leitos comuns e outros aguardando maiores esclarecimentos sobre o seu estado de saúde.
Os sintomas relatados pelas vítimas
As queixas iniciais relatadas pelos envolvidos e testemunhas incluem um forte cheiro de cloro ou produto químico, dor de cabeça intensa, vômitos, diarreia, dificuldade para respirar e queimação nos olhos e vias respiratórias. Uma aluna de 29 anos chegou a afirmar que os sintomas começaram logo após o término da aula, e, com a evolução do quadro, precisou ser internada na UTI do Hospital São Luiz Tatuapé.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela polícia mostram momentos críticos: o manobrista responsável pela manutenção da piscina manuseando produtos químicos próximos à área da aula enquanto os alunos ainda estavam na água. A partir desses registros, as autoridades avaliam que a mistura inadequada ou a exposição a substâncias sem ventilação adequada possam ter liberado gases tóxicos inalados pelos participantes.
Investigação e interdição da academia
A academia C4 Gym foi interditada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura da Vila Prudente logo após o incidente. As autoridades municipais constataram irregularidades no funcionamento do local, incluindo a falta de alvará de funcionamento válido, problemas nas instalações elétricas e a operação com dois CNPJs registrados no mesmo endereço, levantando questionamentos sobre a segurança e a legalidade das atividades no estabelecimento.
Além da interdição, a Polícia Civil está conduzindo as investigações no 42º Distrito Policial (Parque São Lucas). Funcionários da academia já foram ouvidos, e a perícia encontrou produtos químicos e um recipiente que estava com uma mistura suspeita — agora analisada pelo laboratório do Instituto de Criminalística. Os laudos periciais serão determinantes para esclarecer se a intoxicação foi causada pela manipulação inadequada de substâncias químicas, especialmente aquelas utilizadas na limpeza e manutenção da piscina.
O delegado responsável afirmou que a hipótese inicial considera que a mistura química pode ter reagido e liberado gases tóxicos nocivos às vias respiratórias, levando ao comprometimento da saúde das pessoas que estavam na piscina ou próximos dela no momento do incidente.
Reação da academia e relatos de moradores
Em nota oficial, a direção da academia afirmou que prestou atendimento imediato a todos os envolvidos e que tem colaborado com as autoridades no que for necessário para esclarecer o ocorrido. A instituição também disse estar em contato constante com as famílias das vítimas, oferecendo apoio e suporte.
Nas redes sociais e no entorno do estabelecimento, moradores e ex-frequentadores expressaram apreensão e pediram justiça e responsabilização pelos danos causados. A interdição da C4 Gym, além de uma medida cautelar de segurança, também gerou questionamentos sobre a fiscalização e a atuação de órgãos públicos na garantia de padrões de segurança em academias e piscinas de uso coletivo.
O que falta esclarecer
Restam ainda pontos importantes a serem apurados: a composição exata dos produtos químicos utilizados, se houve manipulação indevida ou armazenamento inadequado, quem foi o responsável técnico pela manutenção da piscina e se as condições ambientais do local — como ventilação — contribuíram para a intoxicação. Os laudos periciais e os depoimentos dos envolvidos devem ajudar a estabelecer responsabilidades e possibilitar medidas para evitar que incidentes semelhantes voltem a ocorrer.
