CBF inicia profissionalização da arbitragem e formaliza contratos para 2026
Novo modelo prevê salário fixo mensal a árbitros, assistentes e VAR, além de remuneração variável por jogo e fundo para capacitação e desenvolvimento
Nesta sexta-feira (6), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu início à formalização do Programa de Arbitragem Profissional para a temporada de 2026. A entidade enviou contratos a 76 árbitros, assistentes e árbitros de vídeo que, após a assinatura, passarão a receber salário fixo integral já no mês de março. A partir da sexta rodada do Campeonato Brasileiro Série A, os 72 profissionais designados também começarão a receber remuneração variável conforme o número de partidas trabalhadas. Os pagamentos serão efetuados até o décimo dia útil de cada mês.
Novo modelo centraliza pagamentos e cria fundo
O novo formato de contratação estabelece que as taxas de arbitragem sejam quitadas integralmente pela Confederação Brasileira de Futebol, por meio do Fundo Anual de Desenvolvimento da Arbitragem. O fundo será abastecido com os valores pagos pelos clubes referentes às taxas variáveis de cada partida.
Na prática, a cobrança das taxas junto aos clubes permanece. A diferença é que, em vez de repassar os valores diretamente aos profissionais escalados para cada jogo, os clubes farão pagamentos mensais à entidade, que ficará responsável por centralizar e redistribuir os recursos. Além da remuneração dos árbitros profissionais, o fundo financiará ações de capacitação e desenvolvimento da categoria.
A entidade também convocou os profissionais contratados para o 1º Seminário Técnico da temporada. O encontro será realizado na Granja Comary, em Teresópolis, entre os dias 31 de março e 3 de abril. A programação inclui treinamentos físicos e técnicos, avaliações, alinhamento de critérios de arbitragem, capacitação em novas tecnologias e ações de padronização de procedimentos.
Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra afirmou que “a profissionalização é algo que todas as gerações da arbitragem de futebol desejavam e sonhavam”.
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CBF anuncia profissionalização da arbitragem (Vídeo: reprodução/Instagram/@ge.globo/@getv)
Além do anúncio formal no site e em comunicados oficiais, a CBF também repercutiu a profissionalização da arbitragem nas suas redes sociais. Em um reel publicado em seu perfil oficial no Instagram, a Confederação destacou a implementação do programa com enfoque na modernização e no investimento contínuo na formação e remuneração dos árbitros, reforçando a importância da iniciativa para a evolução da arbitragem no futebol brasileiro.
Contratações, salários e investimentos estruturam nova fase
Os profissionais atuarão como pessoa jurídica. Pela natureza do vínculo, não haverá exigência de exclusividade, mas a CBF estabelecerá prioridade para funções de árbitro, assistente e VAR.
Os salários fixos variam conforme a categoria (FIFA ou CBF). Além do valor mensal, os profissionais recebem por partida e podem ganhar bônus por desempenho. Embora a entidade não tenha divulgado oficialmente os valores por categoria, o portal ge antecipou os números em fevereiro:
Valores de remuneração:
Árbitro central FIFA — Fixo mensal: R$ 22 mil | Taxa por jogo: R$ 5,5 mil
Árbitro central CBF — Fixo mensal: R$ 16 mil | Taxa por jogo: R$ 4 mil
Árbitro Assistente e VAR FIFA — Fixo mensal: R$ 13,2 mil | Taxa por jogo: R$ 3,3 mil
Árbitro CBF — Fixo mensal: R$ 10 mil | Taxa por jogo: R$ 2,5 mil
A escolha dos 72 primeiros contratados seguiu três critérios:
Pertencer ao quadro FIFA ou CBF
Ter maior número de escalas na Série A em 2024 e 2025
Alcançar nota média nas avaliações de desempenho nas temporadas 2024/2025
O programa foi desenvolvido com base em modelos adotados em países como Alemanha, Inglaterra e Espanha, além do México. A CBF criou um grupo de trabalho em novembro do ano passado, com participação de clubes das Séries A e B, além de consultores internacionais e árbitros.
A entidade estima investir R$ 195 milhões na arbitragem no biênio 2026/2027. Outra novidade prevista é a implementação do impedimento semiautomático, ainda sem data de estreia na Série A. Para viabilizar a tecnologia, foram reservados R$ 25 milhões para um contrato de dois anos, contemplando o Brasileirão e a Copa do Brasil.
