Síria sinaliza retomada do diálogo com Israel e exige fim dos ataques para avançar em acordo
Negociações incluem segurança, fronteiras e as Colinas de Golã enquanto Síria condiciona avanço à interrupção dos ataques israelenses em seu território
A Síria afirmou que pretende retomar as negociações com Israel sobre um acordo de segurança nos próximos meses. Entretanto, o governo sírio condiciona qualquer avanço à interrupção dos ataques israelenses em seu território. A declaração partiu do ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, durante entrevista concedida à Reuters em Damasco. Ainda segundo ele, a diplomacia continua sendo uma possibilidade, embora a confiança entre os dois países permaneça extremamente abalada.
Governo sírio vê chance para retomar negociações
Shaibani afirmou que as conversas ficaram paralisadas após o início da guerra entre Irã e Israel e que o contato direto entre os dois países foi interrompido depois do recente bombardeio israelense contra uma base aérea síria. Mesmo assim, o chanceler acredita que as negociações poderão ser retomadas em breve. Contudo, ele destacou que o diálogo precisa produzir resultados concretos para justificar sua continuidade.
Segundo o ministro, a Síria considera necessário manter canais de comunicação abertos com Israel. Ainda assim, ele ressaltou que o país não deposita confiança no governo israelense neste momento. Washington tenta mediar um acordo de segurança entre Israel e o governo do presidente Ahmed al-Sharaa há mais de um ano. Entretanto, os esforços americanos ainda não produziram um entendimento definitivo.
Suposto ataque do exército israelense na Síria, em 22 de agosto de 2026 (Fotos: reprodução/Huseyin Mesal/Anadolu/Getty Images Embed)
Estados Unidos pressionam por avanço diplomático
De acordo com Shaibani, os Estados Unidos seguem incentivando Israel a retornar à mesa de negociações. Além disso, o chanceler afirmou que Washington busca criar condições para um acordo duradouro. Ainda nesse cenário, o governo sírio sustenta que não representa ameaça aos países vizinhos. Por isso, Damasco afirma concentrar seus esforços na reconstrução nacional após mais de uma década de conflito interno.
Em contrapartida, autoridades israelenses alegam preocupações com a segurança de suas fronteiras. Desde a queda de Bashar al-Assad, Israel ampliou operações militares em áreas próximas ao território sírio. Nos dias seguintes à deposição de Assad, forças israelenses ocuparam áreas do sudoeste sírio.
Paralelamente, Israel realizou ataques contra instalações militares e estruturas ligadas ao governo local. Para Shaibani, essa estratégia não trouxe estabilidade à região. Segundo ele, a segurança duradoura depende de entendimentos diplomáticos e não apenas de ações militares.
Base aérea voltou a elevar as tensões
As tensões aumentaram novamente após Israel bombardear a base aérea de Abu al-Duhur e o governo israelense alegou que a instalação poderia receber forças militares turcas. Entretanto, tanto a Síria quanto a Turquia negaram essa possibilidade. Além disso, o chanceler sírio afirmou que Damasco comunicou previamente que a base não seria utilizada por tropas turcas.
Mohammad Ishaq Dar recebe Asaad al-Shaibani para conversas bilaterais (Fotos: reprodução/Ministério das Relações Exteriores do Paquistão/Anadolu/Getty Images Embed)
Shaibani também declarou que a Síria reconhece as preocupações de segurança de Israel. Em contrapartida, ele defendeu que Israel respeite as preocupações sírias relacionadas aos bombardeios e incursões militares. Segundo o ministro, os dois lados chegaram a registrar avanços importantes nas negociações. Em determinado momento, inclusive, quase todos os pontos de um acordo teriam sido formalmente aceitos por escrito. O entendimento previa a suspensão dos ataques israelenses e a retirada de forças posicionadas em território sírio. Além disso, o documento estabeleceria mecanismos de segurança ao longo da fronteira.
Colinas de Golã seguem como tema sensível
Outro ponto central envolve as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde a guerra de 1967. A região permanece como uma das principais fontes de atrito entre os dois países. Segundo Shaibani, a prioridade atual consiste em interromper os ataques israelenses. Somente depois disso, argumenta o chanceler, será possível discutir temas mais amplos relacionados à paz.
O acordo em discussão prevê zonas de segurança próximas à fronteira. Uma delas ficaria sob supervisão exclusiva das Nações Unidas, enquanto outras contariam com presença limitada de forças sírias. Além disso, os Estados Unidos trabalham na criação de um mecanismo para evitar confrontos entre Síria, Israel e Turquia. Entretanto, ainda não existe consenso sobre o formato dessa estrutura. Apesar das dificuldades, Damasco mantém discurso favorável à negociação. Para o governo sírio, a estabilidade regional dependerá da retomada do diálogo e da redução das tensões militares.
