Meta nega interferência em campanhas eleitorais após denúncia
Empresa internacional refuta ter qualquer influência direta nas redes sociais ao tratar de conteúdos políticos distribuídos em suas plataformas
A empresa Meta, atual responsável pelo Facebook, Instagram e Whatsapp, disse em nota, nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”. Afirmou também que a conta do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi suspensa “por engano” e que “incidentes técnicos recentes” afetaram as duas campanhas opostas na internet.
Em seu pronunciamento, também disseram que uma “lacuna” no código das “proteções” da empresa fez com que a ferramenta de inteligência artificial sob sua responsabilidade elaborasse materiais de campanha que favoreciam o atual senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PT).
Reações às interferências e o pronunciamento da Meta
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, determinou uma pena de multa diária equivalente a R$500 mil para a Meta em caso de interferência na distribuição de conteúdo político-eleitoral dos dois lados políticos até o fim das eleições de segundo turno no país.
O ministro afirma que a medida foi tomada pois a empresa “tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação”.
A meta, no dia 7 de outubro, disse que “um incidente técnico” afetou os sistemas de contabilização das reproduções e reprises de reels. Também disse que este problema não ocorreu apenas no Brasil e nem somente na cota da campanha de Lula. “É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema”.
Já no dia 9 de outubro, eles também reportaram a identificação de uma falha global no Gerenciador de Anúncios que ocorreu graças a uma atualização no código, impedindo temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já postadas na rede do Instagram.
Falhas no código do assistente de IA
A tecnologia Ia da Meta integrada no Whatsapp se recusou a gerar imagens de campanha de Lula, porém aceitou criar pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro.
Testes do G1 confirmaram que a inteligência artificial apresentou visíveis diferenças nas respostas, embora tenha gerado apenas uma imagem com o nome do atual presidente após inúmeras tentativas.
Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da Meta, se recusa a criar arte da campanha do presidente Lula no WhatsApp, mas atende pedido de material de campanha de Flávio Bolsonaro. Coligação do PT aciona o TSE para atuar no caso. https://t.co/0fQE4hyPhV
— Renato Souza (@reporterenato) October 14, 2026
Imagem da IA da Meta durante “incidente técnico” ( Foto: reprodução/X/@reporterenato)
Estes mesmos testes comprovaram que o assistente se recusou a gerar imagens de campanha de Flávio quando seu sobrenome, “Bolsonaro”, era incluído no pedido.
Pela lei, a criação de imagens geradas por inteligência artificial sobre os candidatos é proibida. “A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito e integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Ela funciona de forma semelhante ao ChatGPT nos serviços da Meta e, a partir de descrições simples, pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens, por exemplo” afirma o site do G1.
A empresa declarou que “cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada” e negou qualquer intenção de interferir no processo eleitoral. Segundo a Meta, os episódios mencionados possuem justificativas que podem ser esclarecidas com base em registros e informações disponíveis.
