Meta nega interferência em campanhas eleitorais após denúncia

Empresa internacional refuta ter qualquer influência direta nas redes sociais ao tratar de conteúdos políticos distribuídos em suas plataformas

16 out, 2026
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Reprodução/instagram/@ricardostuckert
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Reprodução/instagram/@ricardostuckert

A empresa Meta, atual responsável pelo Facebook, Instagram e Whatsapp, disse em nota, nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”. Afirmou também que a conta do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi suspensa “por engano” e que “incidentes técnicos recentes” afetaram as duas campanhas opostas na internet. 

Em seu pronunciamento, também disseram que uma “lacuna” no código das “proteções” da empresa fez com que a ferramenta de inteligência artificial sob sua responsabilidade elaborasse materiais de campanha que favoreciam o atual senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PT).

Reações às interferências e o pronunciamento da Meta

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, determinou uma pena de multa diária equivalente a R$500 mil para a Meta em caso de interferência na distribuição de conteúdo político-eleitoral dos dois lados políticos até o fim das eleições de segundo turno no país.

O ministro afirma que a medida foi tomada pois a empresa “tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação”.

A meta, no dia 7 de outubro, disse que “um incidente técnico” afetou os sistemas de contabilização das reproduções e reprises de reels. Também disse que este problema não ocorreu apenas no Brasil e nem somente na cota da campanha de Lula. “É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema”. 

Já no dia 9 de outubro, eles também reportaram a identificação de uma falha global no Gerenciador de Anúncios que ocorreu graças a uma atualização no código, impedindo temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já postadas na rede do Instagram.

Falhas no código do assistente de IA

A tecnologia Ia da Meta integrada no Whatsapp se recusou a gerar imagens de campanha de Lula, porém aceitou criar pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro. 

Testes do G1 confirmaram que a inteligência artificial apresentou visíveis diferenças nas respostas, embora tenha gerado apenas uma imagem com o nome do atual presidente após inúmeras tentativas.


Imagem da IA da Meta durante “incidente técnico” ( Foto: reprodução/X/@reporterenato)


Estes mesmos testes comprovaram que o assistente se recusou a gerar imagens de campanha de Flávio  quando seu sobrenome, “Bolsonaro”, era incluído no pedido.

Pela lei, a criação de imagens geradas por inteligência artificial sobre os candidatos é proibida.  “A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito e integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Ela funciona de forma semelhante ao ChatGPT nos serviços da Meta e, a partir de descrições simples, pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens, por exemplo” afirma o site do G1.

A empresa declarou que “cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada” e negou qualquer intenção de interferir no processo eleitoral. Segundo a Meta, os episódios mencionados possuem justificativas que podem ser esclarecidas com base em registros e informações disponíveis.

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