BBB 26: MPF investiga possíveis violações de direitos no reality

Ministério abre inquérito para investigar se determinadas dinâmicas do programa podem ser enquadradas como tratamento desumano para os participantes

06 mar, 2026
Tadeu Schmidt | Reprodção/Instagram/@tadeuschmidt
Tadeu Schmidt | Reprodção/Instagram/@tadeuschmidt

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar possíveis violações envolvendo participantes do Big Brother Brasil, atualmente em sua 26ª edição. Segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo, a apuração busca verificar se determinadas situações ocorridas dentro do programa podem ser enquadradas como tratamento desumano, degradante ou até mesmo como prática de tortura.

Denúncias envolvem provas de resistência e dinâmicas

A iniciativa partiu do procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo. No documento, ele demonstra preocupação com as condições físicas e psicológicas dos participantes confinados, especialmente durante provas de resistência, que exigem grande esforço e permanência prolongada em situações de desgaste.

Entre os fatos mencionados está o episódio em que o ator Henri Castelli sofreu uma crise convulsiva durante uma etapa da chamada Prova do Líder. A denúncia também cita dinâmicas consideradas extremas, como o “Exílio”, momento em que Breno e Alberto Cowboy permaneceram do lado de fora da casa principal. Outro ponto destacado é o “Quarto Branco”, espaço em que participantes teriam ficado isolados por aproximadamente 120 horas, com acesso apenas a água de coco e biscoitos.


Participantes do BBB no Quarto Branco (Vídeo: reprodução/X/@Dantinhas)


Um vídeo compartilhado pelo perfil Dantinhas nas redes sociais registra um momento do reality Big Brother Brasil que rapidamente ganhou destaque entre os fãs do programa. A gravação mostra uma situação envolvendo participantes que acabou chamando a atenção do público e provocando diversas reações na internet.

Após a publicação, o conteúdo passou a ser amplamente comentado e compartilhado nas redes sociais, gerando discussões entre internautas sobre a atitude exibida dentro do confinamento. Como ocorre com frequência em cenas marcantes do reality, o trecho se espalhou rapidamente nas plataformas digitais, aumentando a repercussão do episódio e despertando diferentes opiniões entre os espectadores.

De acordo com Araujo, a liberdade criativa das emissoras não pode servir de justificativa para eventuais violações de direitos fundamentais. Ele também destacou que empresas de televisão operam por meio de concessões públicas e, por isso, devem cumprir princípios que assegurem valores éticos e sociais, conforme previsto na Constituição Federal.

Globo afirma que participantes contam com apoio médico

Em resposta inicial divulgada pelo portal Splash UOL, a TV Globo afirmou que os participantes contam com acompanhamento médico permanente durante todo o programa. A emissora informou ainda que mantém uma UTI móvel à disposição e protocolos específicos para encaminhamento hospitalar sempre que houver necessidade.

No caso envolvendo Henri Castelli, a empresa declarou que o ator recebeu assistência médica imediata e chegou a ser encaminhado duas vezes para avaliação em unidades de saúde fora do programa.

Além disso, o MPF solicitou que a emissora apresente esclarecimentos detalhados sobre os questionamentos levantados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Em documento encaminhado ao órgão, a comissão afirmou ter recebido as informações com preocupação e apontou que determinadas dinâmicas do reality podem remeter a métodos associados a práticas de tortura registradas durante o período da ditadura militar no Brasil.

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