Dr. Eduardo Faria explica por que a definição sem exageros se tornou a nova tendência do contorno corporal
Especialista explica como a combinação entre tecnologia e personalização está mudando a forma de construir resultados corporais mais sofisticados
A busca por um corpo definido continua em alta, mas o conceito de definição corporal mudou. Se há alguns anos os procedimentos estéticos valorizavam curvas extremamente acentuadas e marcações musculares evidentes, hoje a tendência aponta para resultados mais naturais, proporcionais e alinhados à anatomia de cada paciente.
Esse movimento acompanha uma transformação global na cirurgia plástica. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que a lipoaspiração permanece entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados do mundo. Em 2024, foram registrados mais de 1,79 milhão de procedimentos em mulheres, mantendo a técnica entre as líderes do ranking mundial da cirurgia plástica estética.
O crescimento da procura por procedimentos corporais acontece em paralelo à evolução das técnicas cirúrgicas e das tecnologias disponíveis. Segundo levantamento da ISAPS, o número total de procedimentos estéticos realizados no mundo aumentou mais de 42,5% nos últimos quatro anos, refletindo um mercado cada vez mais sofisticado e exigente.
Para o cirurgião plástico Dr. Eduardo Faria, poucas áreas da especialidade passaram por mudanças tão profundas quanto o contorno corporal.
“Eu acredito que a cirurgia de contorno corporal foi uma das especialidades que mais mudaram do início dos anos 2000 para agora, não só pelo advento de novas tecnologias, mas pela mudança de técnicas realmente.”, conta.
O novo momento da lipoaspiração e da alta definição
Segundo o especialista, os procedimentos realizados há duas décadas eram muito diferentes dos atuais, em que eram utilizadas cânulas de maior calibre e com menor quantidade de solução infiltrada. Sendo realizado dessa maneira, o procedimento exigia uma recuperação mais desgastante para o paciente.
Hoje, a realidade é outra. Tecnologias como o Vaser, sistema de lipoaspiração ultrassônica, facilita na emulsificação da gordura e permite uma abordagem mais seletiva dos tecidos. Quando bem indicada e usada por cirurgiões capacitados, contribui para maior precisão durante a cirurgia.
“Conseguimos retirar a gordura com menos trauma, menos sangramento e menor lesão vascular. A segurança melhorou muito.”, aponta.
Além da retirada de gordura, surgiram outros recursos voltados para a retração da pele, como Morpheus e BodyTite, que ampliaram as possibilidades de tratamento para pacientes com flacidez leve e moderada. No entanto, o cirurgião ressalta que a indicação desses recursos depende sempre dá avaliação médica criteriosa, que está acima da tecnologia utilizada.
“Antigamente nós não tínhamos essas ferramentas. Hoje conseguimos alcançar bons resultados com incisões menores e abordagens menos invasivas.”, explica sobre as tecnologias.
O médico também reforça que, em casos com excesso de pele, procedimentos de retirada cirúrgica de tecidos ainda são necessários para garantir um resultado adequado e seguro.
Entre os principais marcos da cirurgia corporal moderna está a popularização da Lipo HD, técnica que busca evidenciar os contornos musculares e criar uma aparência mais atlética.
Segundo o Dr. Eduardo, a grande transformação aconteceu quando a cirurgia deixou de ter como único objetivo a retirada uniforme da gordura.
“O principal responsável por essa mudança foi o doutor Alfredo Hoyos, que desenvolveu a lipoaspiração de alta definição. Isso literalmente quebrou paradigmas dentro da cirurgia de contorno corporal. Tive a oportunidade de aprender diretamente com ele na Colômbia e fui o cirurgião mais jovem a realizar esse treinamento, uma experiência que contribuiu significativamente para a minha formação e para a forma como aplico essas técnicas atualmente”, comenta sobre o profissional que trouxe essa inovação para a cirurgia plástica.
A partir desse conceito, os cirurgiões passaram a trabalhar a anatomia de forma mais estratégica, respeitando a disposição natural dos músculos e das estruturas corporais.
O fim dos exageros e um resultado positivo
Apesar da popularidade da definição muscular, o especialista destaca que os pacientes têm buscado resultados mais discretos e elegantes.
Na prática, isso significa abandonar a ideia de que toda cirurgia precisa resultar em abdômens extremamente marcados.
“Quem vai determinar o grau de definição é principalmente a anatomia da paciente, associada ao estilo de vida e ao desejo dela.”, explica.
Segundo o médico, tentar reproduzir o mesmo padrão em todos os corpos pode gerar resultados artificiais.
“Não dá para fazermos marcações de metâmeros, aqueles quadradinhos do abdômen, em uma paciente acima do peso. Isso foge da naturalidade e da harmonia.”, conta sobre como é importante a orientação.
Para ele, a sofisticação está justamente na personalização do procedimento, onde o respeito à anatomia do corpo da paciente é fundamental para que o resultado do contorno seja positivo e bonito.
Outra mudança importante nos últimos anos foi a compreensão de que o contorno corporal não depende apenas da retirada de gordura localizada.
“Quando falamos em lipoaspiração de definição, não falamos apenas de retirar gordura. A lipoenxertia é tão importante quanto a própria lipoaspiração.”, explica o médico sobre outra técnica importante.
A técnica permite utilizar a gordura retirada para corrigir depressões, melhorar proporções e criar transições mais harmônicas entre diferentes regiões do corpo.
Uma das indicações mais frequentes, segundo o médico, é a correção da chamada depressão trocantérica, conhecida popularmente como hip dips.
“Nesses casos, fazemos a lipoaspiração de regiões como flancos e culotes e utilizamos essa gordura para melhorar o contorno corporal.”, detalha.
A qualidade da pele também exerce influência direta sobre os resultados. O médico aponta esse impacto. “Hoje vemos muitos pacientes que perderam peso com o auxílio das chamadas canetas emagrecedoras. A flacidez gerada por esse emagrecimento impacta diretamente o resultado final.”
Esse cenário tem levado a um aumento da procura por tecnologias de retração cutânea e procedimentos combinados, especialmente entre pacientes que passaram por grandes perdas de peso.

Dr. Eduardo Faria (Foto: Reprodução/Divulgação)
O papel da paciente no resultado
Apesar dos avanços tecnológicos, Dr. Eduardo reforça que o sucesso da cirurgia continua dependendo de fatores que vão além do centro cirúrgico.
“Eu sempre digo que existe um tripé para alcançarmos um bom resultado: exercício físico, alimentação e cirurgia.”
Segundo ele, pacientes que já possuem hábitos saudáveis tendem a apresentar resultados mais previsíveis e duradouros, como por exemplo, pessoas mais atléticas, tendem a ter um resultado muito melhor.
Além disso, o resultado exige paciência. Nós primeiros 15 dias, é comum que a paciente apresente inchaço devido ao processo inflamatório natural da cirurgia. As primeiras mudanças mais perceptíveis costumam surgir entre dois e três meses, enquanto o resultado final pode ser observado após cerca de seis meses.
O futuro será mais natural
Se no passado a estética valorizava volumes maiores e curvas mais exuberantes, a tendência atual aponta para um caminho diferente, um padrão mais slim, mais seco, com mais definição e menos volumes e exageros.
O especialista observa que até mesmo celebridades e influenciadores que ajudaram a popularizar padrões corporais mais exagerados passaram a adotar uma aparência mais discreta.
“Hoje vemos um movimento em direção a corpos mais definidos e menos volumosos.”, conta.
Na avaliação do médico, o futuro da cirurgia corporal deve continuar apostando na combinação entre tecnologia, segurança e individualização.
“Já encontramos um equilíbrio muito interessante entre bons resultados e segurança. A tecnologia é uma grande aliada, mas nada substitui uma indicação correta, um bom preparo do paciente e uma técnica bem executada.”, finaliza.
