Anitta se pronuncia sobre vida amorosa, política e religião: “Não tinha saído do armário”
No Sem Censura, cantora fala sobre mudanças nas relações, medo de expor a religião, silêncio político no retiro e pressão sobre o sucesso feminino
Anitta, aos 33 anos, conversou abertamente com o programa “Sem Censura” da TV Brasil sobre questões que marcaram sua vida pessoal e trajetória profissional. A cantora discorreu sobre transformações em seus relacionamentos, sua prática do candomblé, o silêncio político que enfrentou críticas e a forma como a sociedade avalia mulheres que alcançam sucesso.
O segredo por trás do sucesso
Desde o lançamento de Show das Poderosas em 2013, Anitta consolidou-se entre os maiores nomes da música brasileira. Quando questionada sobre os pilares de sua carreira, a artista recusou atribuir tudo ao talento. “Não sou a melhor cantora, ou a melhor dançarina, ou a melhor compositora e produtora. Acho que nesse quesito, eu sou um patinho, sei fazer um pouquinho de cada coisa. Se me botar pra cantar, eu vou cantar legal. Se me botar pra dançar, não vou deixar a desejar. Vai me colocar pra compor? Eu consigo me virar, mas tem outras pessoas muito melhores”, afirmou.
Para ela, a diferença está em outras qualidades. “Eu sou uma grande empresária, sou uma grande vendedora do meu trabalho, que sabe ler o público muito bem e sabe como chegar. Sei ser maestra de todos os profissionais maravilhosos que estão fazendo a excelência do trabalho”, completou no programa.
Reconhecimento internacional e Funk Generation
O álbum Funk Generation marcou um ponto de inflexão no alcance global de Anitta. Criado para homenagear sua trajetória até então, o projeto abriu portas com colaboradores internacionais de peso. The Weeknd a chamou para produzir funk, enquanto Travis Scott incorporou as músicas do trabalho em suas apresentações ao redor do mundo.
Apesar da receptividade global, Anitta apontou uma contradição no cenário brasileiro. Enquanto festivais internacionais a contratam regularmente, apenas o Rock The Mountain a inclui nas edições nacionais. Ela participa do festival neste ano.
Religião, retiro e silêncio político
Anitta enfrentou questionamentos sobre seu posicionamento político em um período específico. O contexto, porém, era delicado: naquele momento passava por iniciação no candomblé. Durante o ritual de fazer santo, ficou um mês em isolamento completo, sem contato com informações externas ou acesso a telefone.
O receio de expor sua fé era real e tinha origem concreta. A cantora temia que a revelação afetasse suas campanhas publicitárias e sua capacidade de gerar renda. Decidiu então estudar política com mais profundidade e começar a se posicionar. Seu foco, segundo ela, é estimular as pessoas a buscar informação própria. “Comecei a focar em questão ambiental e política, nunca na questão política de pessoas seguirem meu pensamento. Incentivo que busquem informação. Acho que informação é libertadora. Não quero que ninguém vote como eu, não quero que ninguém tenha minha mesma crença ou religião. Quero que as pessoas busquem informação e façam escolhas próprias”, disse.

Anitta (Foto: reprodução/Instagram/@anitta)
Vida amorosa e a necessidade de privacidade
Em período marcado por rumores sobre sua vida pessoal, Anitta preferiu manter discrição. A mudança reflete uma transformação mais profunda em como ela se relaciona com outras pessoas. “Eu estou muito diferente nas minhas relações pessoais, mudou muito a minha forma de me relacionar com as pessoas. Eu acho que antes eu tinha um vazio mesmo, uma necessidade de algo, de provar algo”, revelou.
Essa evolução também representa uma crítica à forma como a sociedade reconhece o sucesso feminino. Para Anitta, importa pouco o quanto uma mulher trabalha ou constrói: o reconhecimento só chega quando ela é “escolhida por um homem”. “Não importa o quanto você trabalha, não importa o quanto você tenha construído coisas inacreditáveis; para a sociedade, a mulher só alcança esse sucesso quando ela é escolhida por um homem. Isso me pega muito e deixa triste”, ressaltou com ênfase.
Sua abordagem sobre os relacionamentos mudou radicalmente. “Eu mudei muito a minha forma de me relacionar, o motivo de me relacionar, e também a minha discrição. Antes, eu era muito tipo ‘Ah, que falem da minha vida’. Tinha uma percepção de que enquanto era falada, estava no sucesso. Tinha essa necessidade de me expor. Atraía pessoas com essa energia”, explicou.
Equilibrium II, seu novo projeto, materializa essa transformação construída ao longo dos anos. O álbum reflete a mulher que Anitta se tornou: mais reservada em sua intimidade, menos dependente da exposição pública para validar seu trabalho.
