Cássio Scapin se despede de Laura Cardoso e Glória Menezes em semana marcada por perdas
Ator relembra trajetória ao lado das atrizes, destaca momentos marcantes da convivência e homenageia a mãe, que também morreu recentemente
Cassio Scapin, 61 anos, atravessou uma semana marcada por perdas significativas. Em um intervalo de menos de 24 horas, morreram suas colegas de ofício, as atrizes Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91. Além disso, na terça-feira (18), o ator lamentou o falecimento de sua mãe, Maria Aparecida de Souza Scapin, aos 88 anos. Em entrevista à Quem, durante a estreia do espetáculo do Cirque du Soleil, em São Paulo, o ator falou sobre o momento delicado e transformou a ocasião em uma homenagem às três.
Ao comentar a perda das veteranas, Cássio destacou que a partida delas representa o fim de uma geração importante para a dramaturgia brasileira. “A importância dessas duas atrizes… Aliás, não só dessas duas atrizes. É uma geração, a gente tem que ficar muito atento, que é uma geração que está indo embora. E é uma geração onde a gente bebeu pouco”, disse ele. O ator acrescentou que teve a honra de compartilhar palco e trajetórias com essas referências essenciais.“Eu peguei essa geração trabalhando, eu tive possibilidade de conversar, de trocar com essa geração”, contou.
Cássio defendeu que o legado deixado por artistas como Laura e Glória deva ser preservado e conhecido pelas novas gerações. “Mas tem uma geração que não tem ideia da importância para a formação do ator e das questões que essas mulheres exploraram dentro das carreiras, de como elas foram artífices do seu trabalho. Então, eu acho que o legado que elas deixam tem que ser explorado”, afirmou. “A gente tem que correr atrás. Moçada, corram atrás dessa geração. Corram atrás para saber quem eram essas pessoas e qual era a importância e qual foi a importância dessas pessoas para a cultura da gente e para o teatro em geral”, ensinou.
Amigo das duas, Scapin recordou os últimos encontros que teve com cada uma delas.”Olha, com a Laura eu cruzei rapidamente num evento, numa estreia”, conta. Com Glória, a despedida foi mais longa: “A última vez que encontrei a Glória foi antes da pandemia, antes do Tarcísio [Meira] morrer. A gente esteve num jantar juntos; eu fazia uma peça com o Tarcísio, que era O Fiel Camareiro, falamos um monte de coisa”.
O circo e sua importância para Cássio
A ida ao espetáculo assumiu um significado especial para Cássio Scapain em razão da ligação de sua mãe com o universo circense. “Hoje eu me dei ao luxo de vir ao circo. Morreu a minha mãe, morreu a Dona Laura e morreu a Glória. Então, eu era amigo das duas e, enfim, filho da Dona Cidinha, que partiu junto. Então, ontem foi um dia muito pesado, muito bravo, e hoje eu me dei ao luxo, eu me dei o carinho, o afeto de vir ao circo para desanuviar a cabeça”, desabafou.
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Publicação de Cássio em suas redes informando do falecimento de sua mãe (Foto: Reprodução | Instagram / @cassioscapin)
Ele disse que optou por assistir à apresentação também como forma de prestar uma homenagem a Maria Aparecida. “Minha mãe adorava circo. A gente tinha uma parente que era do circo, que andava na bola e fazia equilíbrio no rolo, enfim. Era o circo do seu Arlindo Pimenta, da família Pimenta. Então, é uma espécie de homenagem, assim, para minha mãe. Eu decidi, falei: ‘Não, eu vou lá ver o circo’”, explicou.
Cássio relatou a relação de sua família com a arte circense e revelou uma habilidade pouco conhecida. “Na minha vida, quando eu era jovenzinho, quando eu fazia escola de arte dramática, tinha o Circo Piolin ali, a escola de circo. Cheguei a fazer trapézio, eu era volante. Então, há muitos anos não exerço mais essa pequena habilidade, esse pequeno aprendizado, mas é uma coisa que eu acho que ninguém sabe, pouca gente sabe”, revelou.
Carreira de Cássio
Cássio Scapin é ator, diretor teatral e produtor paulistano, nascido em São Paulo em 1964 e formado pela Escola de Arte Dramática (EAD) da USP. Iniciou sua carreira na TV ainda jovem, no quadro Controle Remoto do Domingão do Faustão, porém alcançou projeção nacional em 1994 ao interpretar Nino no seriado infantil Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, papel que o marcou na memória de gerações e que permanece até hoje como sua imagem mais reconhecida.
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Cássio Scapin (Foto: Reprodução | Instagram / @mathmartini)
Em mais de três décadas de carreira, Scapin construiu uma trajetória sólida entre teatro, TV e cinema. Participou de mais de 20 espetáculos no Brasil e na Itália, recebeu prêmios como Mambembe, Governador do Estado e Troféu APCA, além de Melhor Ator nos prêmios Apetesp e Shell em 1998 por Memórias Póstumas de Brás Cubas. Retornou às novelas da Globo após 13 anos de ausência e, mais recentemente, interpretou Odorico Paraguaçu em O Bem Amado Musicado. Embora o sucesso duradouro associado a Nino o acompanhe, ele busca hoje ser reconhecido por outros trabalhos, alternando uma agenda intensa entre palco e telas.
