Cauã Reymond expõe depressão no auge de Avenida Brasil: ‘Tudo estava certo, mas não me sentia preenchido’

Em participação no Charla Podcast com Marcelo Adnet, o ator abre o jogo sobre traumas da infância e como a terapia o auxiliou a ressignificar seus sucessos profissionais

30 jul, 2026
Cauã Reymond | Reprodução/Instagram/@cauareymond
Cauã Reymond | Reprodução/Instagram/@cauareymond

Cauã Reymond participou do Charla Podcast na última quarta-feira (29) para uma conversa sobre saúde mental ao lado de Marcelo Adnet. Durante o bate-papo, o ator revelou ter enfrentado um episódio depressivo logo após o sucesso monumental de Avenida Brasil (2012), exatamente quando acreditava ter alcançado todos os seus objetivos. O relato marca uma das raras ocasiões em que Cauã se abre sobre este período específico de sua vida, conectando o vazio emocional vivido às raízes familiares que o formaram.

Apesar de casado, com filha recém-nascida e carreira em ascensão, o ator descreveu aquele momento como repleto de um profundo sentimento de incompletude. A terapia emergiu como ferramenta fundamental para que ele conseguisse nomear e processar aquilo que vivia em silêncio enquanto celebrava os frutos do sucesso.

O relato no podcast

Cauã descreveu com franqueza o contraste entre sua vida externa e seu estado interno naquela fase. Ele explicou que, embora acordasse cedo e praticasse surfe regularmente, a depressão estava presente, ainda que não o imobilizasse completamente. O que mais pesava era a desconexão entre ter conquistado aquilo que sempre desejou e a incapacidade de sentir-se verdadeiramente realizado.

“Após Avenida Brasil eu acho que vivi uma pequena depressão. Eu sou um cara que acordo cedo, surfo, [e] não me imobilizou. Mas naquele momento eu vivi um momento de muito sucesso, eu vivi um casamento com uma pessoa especial, minha filha tinha nascido, tudo estava certo na minha vida, e eu não me sentia preenchido.”

O ator destacou que reconhecer suas conquistas conscientemente foi determinante para integrá-las à sua vida. Ele contou que precisou sentar diante de um terapeuta e verbalizar alto aquilo que havia alcançado para que a sensação passasse a fazer sentido.

“Foi muito importante sentar em um consultório e falar: ‘Cara, tudo o que eu queria, eu conquistei’. Foi essa a sensação. Nunca imaginei, de onde eu saí, chegar até aqui.”


Entrevista de Cauã Reymond ao Charla Podcast (Vídeo: reprodução/YouTube/Charla Podcas)


Origens que marcaram a trajetória

Cauã abordou sua história familiar para contextualizar por que demorou a integrar o sucesso em sua autoimagem. Sua infância foi marcada por eventos difíceis e perdas que moldaram sua relação com a estabilidade e as realizações pessoais. Essas experiências ajudam a explicar a dificuldade em permitir-se estar grato.

“Minha mãe era empregada, HIV positivo, adotada. Minha avó foi mãe solteira. Minha tia foi adotada também, esquizofrênica, assassinada no hospício. Uma história extremamente trágica.”

Partindo de um contexto de vulnerabilidade e instabilidade, chegar a uma vida de segurança financeira, reconhecimento profissional e uma estrutura familiar estável representava algo que Cauã jamais imaginara vivenciar. O tempo foi necessário para que ele assentisse e se permitisse gratidão genuína pelas realizações.

O paradoxo do sucesso

Cauã refletiu sobre como o auge profissional frequentemente coincide com dificuldades emocionais intensas, contrariamente ao que muitas pessoas imaginam. Para ele, o sofrimento não acontecia na caminhada em busca dos objetivos, mas no momento de desfrutá-los.

“Na maioria das vezes, é no auge que a pessoa está com dificuldade. Não na caminhada. A maturidade e o apoio te ajudam a aceitar suas conquistas. Muita gente não aceita essas conquistas.”

O acompanhamento psicológico possibilitou que Cauã processasse aquele período. Ele atribui sua recuperação ao trabalho contínuo de autoconhecimento, às conversas abertas e ao aprendizado extraído de cada queda e levantada. Além de ator, Cauã também atua como produtor, com participação recente na série Jogada de Risco, disponível no Globoplay.

O relato completo de Cauã no Charla Podcast tem início aos 31 minutos e 50 segundos da entrevista.

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