John Cusack, astro de ‘Alta Fidelidade’, explica por que se afastou de Hollywood

Ator de ‘Con Air’ e ‘Tiros na Broadway’ trocou indústria cinematográfica por autonomia de graphic novel em parceria com ilustrador Ignacio Noé

27 jul, 2026
John Cusack | Reprodução/Mika Stetsovski/Wikimedia Commons
John Cusack | Reprodução/Mika Stetsovski/Wikimedia Commons

John Cusack se distanciou de Hollywood nos últimos anos. O ator, aos 60 anos, conversou com a revista Variety durante a San Diego Comic-Con e revelou os motivos por trás de sua ausência na telona. Cusack é conhecido por papéis memoráveis em filmes como ‘Tiros na Broadway’, ‘Con Air’, ‘Quero Ser John Malkovich’ e ‘Alta Fidelidade’.

A razão do afastamento é simples: ele buscava liberdade para criar sem interferências de estúdios. Essa busca resultou na escrita da graphic novel ‘Momo’, ilustrada por Ignacio Noé. Para Cusack, o formato oferece o que o cinema industrial não consegue mais fornecer. “Sempre achei que as graphic novels eram as coisas mais próximas do cinema. Você escolhe os enquadramentos, elas são muito cinematográficas.”

Segundo Cusack, o cinema convencional sufoca a criatividade por questões financeiras. Quando um executivo investe dezenas de milhões em um projeto, sua necessidade de controle aumenta exponencialmente. “Quando você pede para alguém investir US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões em um filme, essa pessoa quer dar opinião, fica com medo e tudo mais.”

A graphic novel funcionou como resposta a esse problema. Cusack trabalhou exclusivamente com Noé, sem aprovações externas ou comitês editoriais. O processo foi orgânico e direto entre criador e ilustrador. “É realmente uma obra feita por apenas duas pessoas. Foi apenas a minha história e a do Ignacio, e isso não acontece hoje em dia. Não tem enrolação, não tem comitê.”

O ator também descartou filtros corporativos usuais no setor. Nenhuma sessão de teste de audiência, nenhuma deliberação em sala de executivos. Apenas dois artistas criando em sinergia.

Anos de distanciamento

Nos últimos cinco anos, Cusack aceitou apenas cinco papéis em produções de menor visibilidade. Os créditos incluem ‘A Névoa da Guerra’ (2025), ‘Detetive Chinatown: O Mistério de 1900’ (2025), ‘Jie Mi’ (2024), ‘Perseguição’ (2022) e a série ‘Utopia’. O contraste com sua trajetória anterior é notável.

Em evento no final do ano passado, Cusack foi incisivo sobre seu descontentamento. “A maioria dos filmes é um lixo”, afirmou, resumindo sua frustração com o cinema comercial contemporâneo. Mesmo assim, reconheceu uma exceção que o atrairia a revisitar.


John Cusack nas filmagens de “Alta fidelidade” (Foto: reprodução/Getty Images/Getty Images Embed)


O ator nunca demonstrou interesse em sequências de seus trabalhos anteriores. Contudo, admitiu que ‘1408’ apresentaria potencial criativo renovado. O filme de 2007, baseado em conto de Stephen King, o colocou como investigador de fenômenos sobrenaturais. Explorar novamente esse universo com a autonomia que não possuía, então o intriga.

A filosofia criativa de Cusack

Para o ator, a graphic novel representa mais que um projeto isolado. Trata-se da concretização de uma postura diante da criação artística: contar histórias sem ceder a investidores ou estruturas corporativas. Com ‘Momo’, ele e Noé produziram algo intocado por interferências externas.

“Foi simplesmente assim: eu escrevi a história e pensei: ‘Gosto dessa história’. Depois encontrei esse artista lindo e maravilhoso, Ignacio Noé, para fazer as ilustrações. Então ninguém editou nada do que eu escrevi nem do que ele desenhou.”

Essa escolha evidencia onde Cusack finalmente localizou aquilo que a indústria cinematográfica moderna deixou de oferecer.

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