Danielle Winits faz desabafo sobre violência e revela experiências que enfrentou: “Já sofri vários tipos”
Com 52 anos, a atriz estreia em novela vertical da Globoplay que trata de gaslighting e marca seu retorno a tramas da emissora após uma década
Danielle Winits integra o elenco de Eu Não Era Louca, Era Casada, que chega à Globoplay nesta terça-feira (6). Na novelinha, ela vive Regina, psiquiatra responsável pelo acompanhamento da personagem Beatriz (Fernanda Rodrigues). A trama, assinada por Ecila Pedroso, funciona como um thriller psicológico centrado no gaslighting.
Gaslighting é uma forma de abuso psicológico em que o abusador distorce e omite informações, levando a vítima a questionar sua própria memória e sanidade. O tema é central na narrativa que a atriz ajuda a construir.
Violência e cura através da dramaturgia
Em entrevista, Danielle abre-se sobre suas vivências pessoais com abuso. Para ela, integrar uma produção que discute esses temas representa parte de um processo maior de cicatrização. A atriz frisa a relevância de a dramaturgia abordar questões que afetam coletivamente.
“Eu, como mulher, que já sofri vários tipos de violência. Vejo que é necessário, hoje em dia, colocar esse assunto dentro da dramaturgia. São luzes do que acontece de fato. Eu me curo ao longo do meu tempo devido a tantas violências que já sofri. Me sinto mais curada com esse trabalho”, declara.
Danielle reforça que trabalhos ficcionais podem servir como espaço de reflexão e aprendizado social, particularmente quando tratam de abuso psicológico contra mulheres.
“O gaslighting é parte integrante da violência contra a mulher e necessita estar dentro do contexto da dramaturgia. Eu acho que a gente está oferecendo um serviço dentro desse trabalho, porque é no meio do caminho que as pessoas podem consumir e refletir”, afirma.

Danielle Winits em ‘Meninas Malvadas: O Musical’ (Foto: reprodução/Clayton Felizardo/BrazilNews)
Formato vertical e acessibilidade
A novelinha marca a primeira incursão de Danielle em produções no formato vertical. Essa estrutura se diferencia pela duração curta e pela capacidade de circular entre usuários de dispositivos móveis com facilidade.
“Fico feliz que seja no formato vertical. A pessoa que está no transporte público pode assistir e pensar em sua própria vida”, aponta a atriz.
Carreira após uma pausa de grandes papéis
Danielle não tinha um papel fixo em novelas desde Amor à Vida (Globo, 2013), quando interpretou a médica Amarilys. Nesses anos de recesso das tramas convencionais, manteve-se ativa por meio de teatro, cinema e plataformas de streaming. Participou de espetáculos como CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente, Meninas Malvadas e Os Produtores. No cinema, esteve em Tudo Bem No Natal Que Vem e na franquia Os Farofeiros. Aparições especiais em Totalmente Demais (2016 e 2024) também marcaram sua trajetória recente. Com mais de 30 anos de carreira, a atriz agora retorna a um papel central em uma produção original da Globoplay.
