Deborah Secco reflete sobre diferentes versões de si mesma: “Criei personas para caber no mundo”
Atriz recusa novelas para dedicar tempo à filha Maria Flor e ao relacionamento com Dudu Borges, investindo em empresas e uma vida profissional redirecionada
Aos 46 anos e 36 de carreira, Deborah Secco enxerga ‘Bruna Surfistinha 2’ como o encerramento de um ciclo. O filme, sob direção de Marcus Baldini e previsto para 2027, marca a despedida dos personagens que dominaram sua trajetória profissional. Ela participou do videocast ‘Conversa vai, conversa vem’ do O Globo para falar sobre essa inflexão profissional e pessoal que a leva a recusar papéis em novelas.
Mãe de Maria Flor, de 10 anos, e noiva do empresário Dudu Borges, Deborah priorizou o tempo com a família sobre os compromissos televisivos. A maternidade transformou não só suas prioridades, mas seu olhar para a própria carreira. A volta ao papel de Bruna Surfistinha após 17 anos funciona como fechamento simbólico de uma fase que a constituiu como artista.
Revisão de prioridades
Para Deborah, aceitar a sequência representa um ponto final importante. “Ter topado fazer esse outro filme é um grande encerramento de ciclo dessa persona que tanto me acrescentou”, afirmou ao videocast.
“Ter topado fazer esse outro filme é um grande encerramento de ciclo dessa persona que tanto me acrescentou”
A razão das recusas recentes é clara em sua fala. Uma novela significaria menos tempo de viagens com a filha. Mesmo tendo recebido convite de um autor amigo, a decisão estava consolidada. Ela se posiciona em um novo lugar profissional onde não precisa ocupar cada oportunidade disponível. “Sou uma mulher de muitos pódios e vitórias. É hora de dar palco para outras histórias”, declarou.
Trajetória moldada por papéis sexualizados
Sua carreira começou em ‘Confissões de adolescente’. Depois vieram ‘Suave veneno’, ‘Laços de família’, ‘Celebridade’ e ‘América’. Durante longos anos, foi encaminhada para personagens sexualizados. Daniel Filho lhe ofereceu Marina em ‘Suave veneno’, o primeiro papel nessa linha, e isso definiu os rumos que se seguiram.
Deborah construiu personas para se encaixar no mercado. “Ficava tentando ser uma persona interessante, que viralizasse, que valesse uma entrevista. Achava que se você entrevistasse a Deborah não ia ter graça. Hoje, está tudo bem se descobrirem que sou chata”, contou ao programa.
“Ficava tentando ser uma persona interessante, que viralizasse, que valesse uma entrevista. Achava que se você entrevistasse a Deborah não ia ter graça. Hoje, está tudo bem se descobrirem que sou chata”
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Atriz Deborah Secco (Foto: reprodução/Instagram/@dedesecco)
Diversificação financeira desde cedo
Além da carreira artística, Deborah estruturou sua vida financeira com antecedência. Atualmente é sócia de sete ou oito empresas. Fez sua primeira entrada como sócia uma década atrás, quando percebeu as transformações da TV e a necessidade de se diversificar.
Segundo dados do Google citados por O Globo, ela possui empresa de administração patrimonial avaliada em R$ 7 milhões e imóvel nos EUA com valor de R$ 9 milhões. Seu método de construção de riqueza passou por disciplina rigorosa: viveu anos como se fosse pobre, apesar dos ganhos, mantendo carro simples e evitando compras de marcas de luxo. Só depois de acumular capital começou a permitir confortos.
Vem de família de origem humilde, e sua mãe instilava hábitos de poupança e investimento. Essa herança influencia suas decisões até hoje. Ela desenvolve palestras sobre reinvenção e mantém múltiplas fontes de renda através de participações empresariais e trabalhos publicitários.
Trabalho terapêutico e autoaprendizado
Em terapia há três anos, Deborah trabalha questões de polarização e controle. “Minha terapeuta transformou minha vida, entrou para fazer uma revolução”, disse.
“Minha terapeuta transformou minha vida, entrou para fazer uma revolução”
Desde a infância sob os holofotes, precisou se moldar, desenvolvendo personalidades para agradar e se adaptar. Reconhece em si mesma traços de egocentrismo e necessidade de controle quando as situações fogem de seu domínio. Continua trabalhando em terapia para desconstruir padrões de polarização.
A morte da irmã mais velha quando tinha um ano marcou sua infância, deixando uma cicatriz que carregou. Dormia na cama da irmã e vestia suas roupas. Cresceu com a responsabilidade implícita de fazer seus pais felizes.
Maternidade como transformação
Deborah compartilha a guarda de Maria Flor com Hugo, fato que ela descreve como sua maior dificuldade. No entanto, a paternidade presente dele opera como cura. Hugo é um pai envolvido que se responsabiliza tanto quanto ela, e isso importa profundamente porque Deborah teve um pai ausente.
Ela buscou repetir padrões de abandono em relacionamentos e amizades, escolhendo pessoas que se afastavam em vez de oferecer cuidado. Estar com alguém que realmente se responsabiliza e se compromete redimensiona sua perspectiva de relacionamento.
Quanto à estética, Deborah fez lipo, silicone e usou medicamentos para emagrecer em algum momento de sua vida. Trabalha a neurose em relação à aparência há alguns anos, reconhecendo a pressão absorvida pela indústria. Seu foco agora é ganho de massa muscular para longevidade.
Ela deseja viajar pelo mundo e namorar quando envelhecer. A prioridade deixou de ser a imagem refletida no espelho para se tornar saúde e vida longa.
