Duda Reis desabafa sobre relacionamento tóxico na juventude e comenta as tentativas de justificar a situação na época

A influenciadora gravou vídeo nas redes sociais falando sobre normalização da violência emocional e pedindo que a sociedade acolha mulheres em situações de risco

17 set, 2026
Duda Reis | Reprodução/Instagram/@dudareisb
Duda Reis | Reprodução/Instagram/@dudareisb

Duda Reis, aos 25 anos, compartilhou um vídeo no Instagram na última quinta-feira (17) refletindo sobre o relacionamento abusivo que vivenciou aos 16 anos. O depoimento ganhou força em meio à repercussão de episódios envolvendo Soso Careca e MC Paiva nas redes sociais. Na legenda, a influenciadora pediu que a sociedade seja acolhedora e proteja meninas contra homens disfuncionais.

Antes de iniciar o desabafo, Duda sinalizou o teor sensível do conteúdo que compartilharia com seus seguidores. No vídeo, ela relembrou como vivenciava a relação na adolescência e explicou o impacto profundo que o abuso deixou em sua vida

O relato de Duda

“Eu tinha só 16 anos quando vivi um relacionamento abusivo que marcou, assim, minha vida profundamente, para todo o sempre”, disse a influenciadora no vídeo publicado, segundo a revista Quem. A experiência deixou marcas profundas em sua trajetória pessoal e emocional.

Na época, Duda normalizou comportamentos que reconhece hoje como abusivos. Ela exemplificou as justificativas que construía para si mesma quando estava dentro da relação, racionalizando atos de controle, desrespeito e agressão. Essa normalização ocorria porque estava emocionalmente frágil e dependente do parceiro.


 

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Duda Reis (Vídeo: reprodução/Instagram/@dudareisb)


A dificuldade em reconhecer o abuso enquanto está vivendo é central na reflexão de Duda. “Quando você está dentro, você está tão fragilizada emocionalmente, você não tem essa clareza como quem está de fora”, explicou. Quem observa de fora consegue identificar sinais que a pessoa envolvida não consegue enxergar. Essa falta de clareza é característica de relacionamentos violentos, onde o abusador cria dependência emocional e controla a autoestima da parceira.

Perspectiva atual

Sobre a possibilidade de mudança do agressor, Duda é categórica: “Para homem abusivo e agressor não tem cura. Eu confesso que, quando eu estive nesse cenário, eu pensei muitas coisas assim”. Ela reconhece que durante o relacionamento alimentava esperança de que ele pudesse mudar, ilusão comum entre vítimas de abuso.

Hoje, com outra perspectiva, Duda não carrega vergonha pelo que viveu. “Eu hoje, mulher, numa outra perspectiva, eu não tenho vergonha da menina que eu fui”, declarou, segundo a Quem. Ela compreende que não tinha ferramentas emocionais para romper a relação na época e reconhece o valor de sua resiliência.

Atualmente casada com o empresário e cabeleireiro Du Nunes, com quem tem uma filha chamada Aurora, Duda vivencia o contraste entre o relacionamento abusivo do passado e a relação saudável que construiu. Essa mudança de contexto permitiu que ela ressignificasse sua própria história.

Sobre o que constitui amor saudável, Duda é precisa: “O amor saudável não tem culpa, não te ridiculariza, não faz você passar uma vida inteira se convencendo de que ‘ai, mas ele não é tão ruim assim'”. Um relacionamento baseado no respeito mútuo não exige que a pessoa renuncie à sua própria percepção da realidade. Amor saudável reconhece a autonomia e o valor do outro.

A influenciadora ressaltou a importância de reconhecer que cada pessoa é sua própria salvadora. Embora uma rede de apoio seja fundamental, não é ela a fonte de salvação, mas sim a ferramenta que fortalece a capacidade de se libertar. O pai de Duda foi seu apoiador durante a trajetória, segundo a revista.

Mensagem para vítimas

Duda alertou que vítimas de abuso não precisam esperar que algo pior aconteça para sair da relação. “Você não precisa esperar algo pior acontecer para você ir embora”, afirmou. Abusadores criam dependência emocional que aprisiona a vítima em ciclos de esperança e desespero.

Pedindo acolhimento em vez de julgamento, a influenciadora dirigiu-se à sociedade. Ela solicitou que as pessoas acolham vítimas de violência em vez de apontá-las ou ridicularizá-las. A tendência de questionar por que a vítima não sai somente reforça a vergonha que já a silencia.

“O acolhimento que pode ser, assim, a única ferramenta para dar forças para uma mulher conseguir sair disso”, destacou Duda segundo a Quem. A aceitação sem culpabilização pode ser decisiva para que uma mulher encontre coragem de romper. Quando a sociedade responsabiliza a vítima, a vergonha aprofunda o isolamento.

Duda pediu que quem observe uma mulher justificando abuso tente entender que ela está vendo de dentro, não de fora. O acolhimento oferecido com paciência pode ser a ferramenta que finalmente a liberta do ciclo.

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