Elza Soares conduz a própria história em novo documentário

Produção acompanhou Elza durante oito anos e utiliza sua própria voz para revisitar momentos de uma carreira que atravessou mais de sete décadas

01 set, 2026
Elza Soares | Reprodução/Instagram/elzasoaresoficial
Elza Soares | Reprodução/Instagram/elzasoaresoficial

A voz de Elza Soares voltará aos cinemas para contar a trajetória da própria artista. O documentário Elza, dirigido por Eryk Rocha, terá sua estreia mundial na 28ª edição do Festival do Rio, que acontece entre 1º e 11 de outubro. Selecionado para a competição de longas documentais da Première Brasil, o filme utiliza gravações feitas com a cantora ao longo de seus últimos anos de vida para construir uma narrativa em primeira pessoa.

Oito anos de registros ajudam a construir o filme

Mais do que revisitar cronologicamente a carreira de Elza, o longa aposta nas próprias memórias da cantora como fio condutor. Eryk Rocha acompanhou a artista durante oito anos e reuniu conversas, registros inéditos e materiais de arquivo para compor o documentário.

Com 110 minutos de duração, Elza mistura imagens coloridas e em preto e branco. Segundo a apresentação oficial do Festival do Rio, a proposta é transformar as lembranças, desejos e reflexões da cantora em uma espécie de diário, colocando sua trajetória em diálogo com diferentes momentos da história brasileira.


 

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Divulgação de “Elza” (Foto: reprodução/Instagram/@gullanemais)


A escolha de deixar Elza narrar a própria vida também aproxima o público da mulher por trás da artista. O filme percorre mais de sete décadas de carreira e aborda transformações, perdas e reinvenções vividas pela cantora, que permaneceu artisticamente ativa até os últimos anos.

Para Eryk Rocha, retratar Elza significa também observar as mudanças atravessadas pelo Brasil durante praticamente um século. O diretor define a cantora como uma figura capaz de iluminar questões do país por meio de sua produção artística e de sua própria experiência de vida.

Trajetória de Elza se mistura à história brasileira

Nascida no Rio de Janeiro, Elza construiu uma carreira marcada por diferentes fases e pela capacidade de atravessar gerações. Projetada nacionalmente no fim dos anos 1950, tornou-se uma das vozes mais reconhecíveis da música brasileira e transitou pelo samba, jazz e outras sonoridades ao longo das décadas.

Sua obra também passou a dialogar de maneira cada vez mais direta com questões como racismo, desigualdade, violência contra a mulher e identidade. Essa dimensão ganhou novo alcance nos últimos anos de sua carreira, período em que a cantora apresentou trabalhos aclamados e conquistou uma nova geração de ouvintes.

Elza morreu em 20 de janeiro de 2022, aos 91 anos, mas os registros feitos anteriormente permitiram que sua própria voz permanecesse no centro do novo longa. O recurso diferencia a produção de uma cinebiografia tradicional: em vez de depender apenas de depoimentos de terceiros para reconstruir sua trajetória, é a própria cantora quem conduz boa parte das lembranças.


Elza Soares se tornou uma das vozes mais marcantes da música brasileira, com uma carreira de mais de sete décadas (Foto: reprodução/Instagram/@cultura.brasileira)


O longa também não representa a primeira vez que sua trajetória chega ao formato documental. Em 2014, foi lançado My Name is Now, Elza Soares, dirigido por Elizabete Martins Campos, produção que também mergulhou na vida e na obra da artista.

Elza estreia nos cinemas após o Festival do Rio

A estreia mundial acontecerá em um dos principais espaços dedicados ao cinema brasileiro dentro do Festival do Rio. Elza integra a competição de documentários da Première Brasil ao lado de outros sete longas, todos apresentados mundialmente pela primeira vez nesta edição.

Depois da passagem pelo festival, o documentário seguirá para o circuito comercial. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 5 de novembro de 2026.

A produção é da Aruac Filmes e Maria Farinha Filmes, em coprodução com Globo Filmes e GloboNews. A distribuição fica a cargo da Gullane+ e da Maria Farinha Filmes.

Assim, quatro anos depois da morte da cantora, Elza propõe um reencontro construído a partir de sua própria voz: não apenas para recordar os principais momentos de uma carreira de mais de 70 anos, mas para permitir que Elza Soares continue sendo a narradora de sua história.

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