Fernando Fernandes revela que virou atleta por ego:”Fui rotulado como incapaz e não aceitei”
Em cinco episódios, apresentador e atleta paralímpico revisita sua trajetória de modelo internacional a referência no esporte adaptado
Fernando Fernandes, 45 anos, estreia a série documental “Entre o Céu e o Inferno” no Globoplay com cinco episódios que contam sua história de ex-modelo de grifes internacionais a referência no esporte adaptado após acidente de carro em 2009 que o deixou paraplégico.
O ex-modelo dormiu ao volante sem cinto de segurança na Avenida República do Líbano, zona sul de São Paulo. O impacto rompeu duas vértebras de sua coluna, resultando em lesão medular. Aos 28 anos, Fernando recebeu o diagnóstico que mudaria sua vida.
O acidente que mudou tudo
Antes do acidente, Fernando era rosto da campanha mundial da Dolce & Gabbana e foi fotografado pelo renomado Mario Testino ao lado de supermodelos como Naomi Campbell, Claudia Schiffer e Eva Herzigová. Participou também do BBB 2, marcando presença na televisão brasileira ainda na carreira de modelo.
Mais de uma década depois, Fernando se reinventou completamente. Virou tetracampeão mundial de paracanoagem, conquistando seu primeiro título mundial na Polônia apenas um ano e meio após a lesão. Hoje apresenta o “No Limite” na TV Globo e realizou feitos como sobrevoo do Cristo Redentor de paramotor e salto de paraquedas solo.
“O que me fez me tornar campeão mundial com apenas um ano e meio de lesão foi ter mexido um pouco com meu ego, de ver que a sociedade me rotulou como incapaz, como inválido, e eu não aceitei aquilo”, diz Fernando.
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Série documental “Entre o Céu e o Inferno” (Vídeo: reprodução/Instagram/@fernandolife)
A reinvenção no esporte
Segundo Fernando, em entrevista à revista Quem, a reconstrução física após o acidente foi simples comparada à reconstrução da identidade. Vaidade virou combustível para essa transformação.
“Meu maior conflito não era me encarar no espelho porque por mais que eu estivesse sentado, no hospital, sempre tive uma confiança muito grande em mim, na vida e no futuro. A maior relação de vaidade está ligada ao que os outros vão pensar de você”, explica.
Dois dias após sair do hospital, Fernando pediu ajuda do pai para ir a uma loja de materiais esportivos. Queria enfrentar o mundo e os olhares ao seu redor. Naquele momento percebeu que tudo dependia de sua relação consigo mesmo. Ali se aceitou e mudou de carreira.
Assumiu riscos esportivos radicais porque sabia que sua transformação poderia transformar a vida de outras pessoas. Se expôs ao risco de morte porque entendia que aquilo tinha sentido. A série documental foi rodada ao longo de mais de 12 meses, com filmagens no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Fernando visita lugares que marcaram sua vida nessa jornada em primeira pessoa.
“A gente começa a abrir nossas fragilidades quando se sente seguro de quem é”, reflete Fernando.
“Tenho plena consciência e aceitação de tudo que aconteceu, e eu me desprendi do meu passado. Lido muito bem com o que eu vivi. Minha vida é muito bem vivida, entre erros e acertos”, conclui.
Ao revisitar seu passado durante a produção, Fernando entendeu seus erros e acertos. Há coisas que gostaria ter feito de forma diferente, mas hoje carrega uma reflexão madura sobre a experiência. De acordo com o próprio Fernando para a revista Quem, a única chance que todos têm é aprender a ser um ser humano melhor.
