Gilberto Gil conta a batalha para registrar o nome Preta Gil
Cantor compartilha momento em que enfrentou a recusa do cartório e questionou por que nomes como Rosa e Clara eram aceitos
Gilberto Gil, de 84 anos, compartilhou nesta quarta-feira (29) um trecho da série original Meu Nome é Preta, do Globoplay, em que recorda a dificuldade enfrentada para registrar o nome da filha. Na produção da Conspiração, o cantor, Preta Gil e Sandra Gadelha, mãe da artista, relembram a história por trás do nome que se tornou uma das marcas de sua trajetória.
O episódio mostra a resistência encontrada pela família no cartório e a insistência de Gilberto para manter a escolha. Preta Maria acabou sendo o nome registrado e, anos depois, ganhou um significado ainda maior na carreira da cantora, que transformou sua identidade em símbolo de representatividade, liberdade e afeto.
Gilberto Gil enfrentou resistência no cartório
Na série, Gilberto Gil conta que a escolha do nome causou estranhamento no momento do registro. Segundo o cantor, a escrivã questionou a decisão quando ele informou que a filha se chamaria Preta.
“A escrivã lá me perguntou do nome dela, e eu disse: ‘É Preta’. Ela estranhou: ‘Preta?’. Eu disse: ‘É. Preta. Preta Maria’. Tantas com nomes ligados a uma cor e acho que Preta também, né? É natural”, relata.
De acordo com a produção, o tabelião não queria aceitar Preta como nome. Diante da negativa, Gilberto questionou o motivo da recusa e comparou a escolha com outros nomes femininos associados a cores, como Rosa, Clara e Bianca.
A própria Preta Gil relembrou o episódio durante a série e explicou por que recebeu o nome composto.
“Eu me chamo Preta Maria por isso, porque o tabelião não quis, e falou para a minha avó e para o meu pai que Preta não era nome de gente. Meu pai deu o escancarozinho dele: ‘Por que se tem Rosa, Clara, Bianca, por que não pode ter Preta?’”, contou.
Ver essa foto no Instagram
Gilberto Gil relembra o nome de Preta Gil (@fmconecta)
Sandra Gadelha também defendeu a escolha
Sandra Gadelha, conhecida como Drão, acompanhou o processo e também insistiu para que a primeira parte do nome escolhido pela família fosse preservada. Conforme o relato apresentado na série, ela sugeriu acrescentar Maria para facilitar a aceitação no cartório, mas deixou claro que não abriria mão de Preta.
“Eu não vou sair daqui sem botar Preta. Eu digo: ninguém vai sair daqui. A minha mãe, muito da metida, foi por trás da moça lá no cartório e disse: ‘Bote Maria aí para ficar um nome cristão. É mole?’”, relembrou.
A escolha feita pelos pais acompanhou Preta Gil durante toda a trajetória artística e se tornou parte importante de sua identidade pública. Como cantora e compositora, ela levou o próprio nome para os palcos e ajudou a transformá-lo em uma expressão de representatividade e liberdade.
Disponível no Globoplay, Meu Nome é Preta revisita diferentes momentos da vida pessoal e profissional da artista por meio de depoimentos da família e registros de sua trajetória.
Preta Gil morreu aos 50 anos, em 20 de julho de 2025, em decorrência de complicações de um câncer no intestino. A produção resgata sua história e o impacto que deixou na música e na cultura brasileira.
