Cerca de 13,2 mil sites de bets são bloqueados por irregularidade
Após encerramento das bets autorizadas, governo remove 3.552 conteúdos de redes sociais que atingiam 17 milhões de usuários; contas com saldos elevados seguem sob investigação
O governo federal bloqueou 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro, quando as bets foram proibidas no Brasil. No primeiro dia após o encerramento oficial das plataformas autorizadas, R$ 1,325 bilhão ainda aguardam devolução a cerca de 26,5 milhões de apostadores. As empresas têm até 7 de outubro para informar os saldos às instituições financeiras.
A velocidade do bloqueio chegou a uma média de 1.103 sites ilegais por dia, segundo o Ministério da Fazenda. Paralelamente, o governo removeu 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores de redes sociais que promoviam apostas ilegais. Esses conteúdos atingiam mais de 17 milhões de usuários nas plataformas.
Remoção de conteúdo em redes sociais
A retirada de conteúdo foi distribuída entre as principais plataformas:
- 1.974 páginas no Facebook
- 560 perfis no Instagram
- 900 canais e grupos no Telegram
- 103 perfis no TikTok
- 14 grupos no WhatsApp
- 1 servidor no Discord
O Ministério da Justiça e Segurança Pública coordenou as ações com as empresas de tecnologia para remover propagandas e convites ao acesso de plataformas ilegais.
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Sites de bets ilegais bloqueados pelo governo (Vídeo: reprodução/Instagram/@pordentrodetudo)
Dos 188 sites autorizados até 5 de outubro, apenas 1 continuava em funcionamento no dia 6. O governo também solicitou o bloqueio dessa última plataforma que permanecia ativa.
Impacto na poupança das famílias
Antes da proibição, entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia saíam da poupança popular e iam para as bets. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a mudança provocada pelo encerramento.
“Já tínhamos identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saía da poupança popular e ia para as bets. Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante”, afirmou Durigan.
O prazo para retirada voluntária dos saldos terminou às 23h59 de 5 de outubro. A partir de então, apenas o processo bancário de devolução segue, com as instituições financeiras responsáveis pela restituição. A identificação dos apostadores será feita por CPF e dados da conta utilizada para depósitos.
Concentração de saldos
A distribuição dos valores pendentes é altamente concentrada. Segundo informações da Agência Brasil, 1% dos apostadores, algo como 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo pendente. A concentração se acentua quando observados os percentuais maiores: 3,4% dos apostadores representam 90% dos recursos que aguardam devolução.
“A grande maioria dos apostadores tem saldo muito pequeno. Então, por exemplo, 1% dos apostadores, algo como 200 mil apostadores, representam 80% do saldo que hoje está pendente de ser resgatado. E 3,4% dos apostadores representa 90%. Percebo que há uma concentração grande”, afirmou Durigan.
O número de contas cadastradas (26,5 milhões) é superior ao de apostadores únicos, já que uma mesma pessoa pode manter cadastro em diferentes plataformas. A maior parte dos recursos está concentrada em pequena parcela de usuários.
Investigação de contas suspeitas
O governo identificou cerca de 40 contas com saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Essas contas serão investigadas para verificar possível lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com organizações criminosas. A apuração ocorre paralelamente ao processo de devolução dos valores aos apostadores.
As medidas de bloqueio das plataformas ilegais continuam enquanto a investigação avança. A devolução dos valores começa sua etapa bancária na semana de 6 de outubro, com as instituições financeiras coordenando a restituição conforme os prazos estabelecidos pelo governo.
